Vice de Yeda omitiu recursos, diz revista

Paulo Feijó recebeu dinheiro para campanha, mas não teria declarado

Carlos Rollsing, PORTO ALEGRE, O Estadao de S.Paulo

16 de maio de 2009 | 00h00

A revista "Veja" desta semana trouxe novas denúncias de supostas práticas de caixa dois na campanha eleitoral da governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), em 2006. Agora, são relatados casos que envolveriam o vice-governador Paulo Feijó (DEM). A reportagem ressalta as correspondências eletrônicas que teriam sido trocadas entre Feijó e o gerente de relações institucionais de uma montadora de automóveis.Através das conversas, o vice-governador fora encaminhado para o diretor de uma concessionária de veículos para receber R$ 25 mil em setembro de 2006. A verba chegou às mãos de Rubens Bordini, então tesoureiro da campanha, no mesmo dia dentro de uma mochila cheia de brindes da academia de ginástica de Feijó. A doação não consta na declaração de campanha de Yeda Cruisius entregue ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), fato que pode configurar a prática de caixa dois. Bordini, atual vice-presidente do Banrisul, negou ter recebido qualquer quantia depositada em mochila. A reportagem ainda cita uma gravação de áudio em que o ex-representante do Palácio Piratini em Brasília, Marcelo Cavalcante, encontrado morto em fevereiro, teria comentando o recebimento de R$ 200 mil de uma fábrica de cigarros. Novamente, o valor não estaria identificado na prestação de contas.A indústria apresentou o recibo de doação ao PSDB e admitiu a contribuição. Conforme a revista, o diretório gaúcho do PSDB explicou que a verba foi incorporada ao montante de R$ 596 mil, incluindo os repasses de recurso de companhias que não são discriminadas. CPIAs novas acusações devem dar fôlego à bancada do PT na Assembleia Legislativa. O partido conta com 12 das 19 assinaturas necessárias para instaurar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o suposto caixa dois tucano.Os seis parlamentares do PDT estão negociando alterações no foco do requerimento, além de terem a intenção de não se tornarem meros coadjuvantes do PT. O Democratas também deve endossar a abertura da investigação. O vice-governador Paulo Feijó estava em Punta Del Este até ontem e não foi encontrado. O advogado contratado pela governadora, Eduardo Alckmin, procurou desqualificar a denúncia: "Um e-mail é algo que pode ser facilmente fabricado. Além disso, todos sabem que as relações entre a governadora e o seu vice não são das mais cordiais. Então, as afirmações que ele prestou não nos surpreendem", declarou.

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