Vice de Serra será o mais visado, diz cientista política

Apesar de pré-candidato prometer cumprir mandato inteiro, seu passado deve influenciar nomeação de vice

Felipe Frazão,

13 Junho 2012 | 13h50

A escolha do candidato a vice-prefeito de São Paulo será mais decisiva para o tucano José Serra (PSDB) dos que para demais adversários nas eleições paulistanas, analisa a professora titular do Departamento de Ciência Política da Unicamp Rachel Meneguello. O histórico de Serra é marcado pelo fato de ele ter deixado os dois últimos mandatos que exerceu no Executivo (governo do Estado, em 2010, e Prefeitura, em 2006) incompletos. No caso do Município, o então vice Gilberto Kassab (PSD) tocou a gestão e se reelegeu em 2008.

E apesar de agora Serra prometer novamente cumprir o mandato inteiro, caso se eleito, o passado deve influenciar a nomeação do vice. Serra conta com cinco opções de PSD, DEM e PV. Mas a chapa pura entre peessedebistas não pode ser descartada, na avaliação de Rachel.

Em entrevista ao Estado, a pesquisadora ressalta ainda que os candidatos cabeça de chapa costumam dar a palavra final na indicação do vice. E que partidos consideram preponderante o cenário da disputa, pesquisas de opinião e o tempo de propaganda na TV agregado.

Qual a importância da escolha do vice para a formação de coligações? As coligações são formadas com uma perspectiva de natureza dupla. A primeira é eleitoral, mais importante e prevalece na escolha do vice, porque vislumbra a disputa, sobretudo, o tempo de TV na campanha. A segunda é o apoio potencial na Câmara, caso a chapa seja eleita.

Como os partidos escolhem o vice e o que pesa? Quem escolhe, aliás, é o partido ou o candidato a prefeito na cabeça de chapa? Todo partido define candidatos somente através das convenções, mas o processo que antecede a apresentação de nomes às convenções varia. Em linhas gerais, ocorrem escolhas entre pequenos grupos de lideranças onde, em boa medida, o candidato a prefeito tem a voz mais alta.

Por que a definição do vice costuma ser feita na véspera das convenções partidárias? Esse tempo da escolha está associado ao tempo de avaliação da competição, da capacidade eleitoral dos possíveis nomes a escolher, da própria força eleitoral do candidato a prefeito, tomada, por exemplo, através das pesquisas, e dos acertos entre lideranças locais que amadurecem. Não é sem motivo que Serra cogita lançar uma chapa pura do PSDB. Na pesquisa IBOPE de maio ele contava com 31% das preferências. E isso, em sua avaliação, pode justificar uma chapa fechada no partido.

Por que os partidos das coligações lutam para indicara o candidato a vice? Isso é visto com mais importância do que receber outros cargos em secretarias e empresas municipais quando formam alianças? A busca por cargos em nível local depende do volume de importância dos lugares a preencher. No caso de São Paulo, há empresas e autarquias com um grande volume de recursos políticos e financeiros, que interessam tanto quanto secretarias estratégicas. As sim, as coligações em São Paulo têm muito espaço para negociação, para além da vice-prefeitura.

O eleitor é influenciado por causa do vice? Deixaria ou passaria a votar em algum candidato por causa de seu vice? A política municipal é muito próxima do eleitor. Nosso sistema de escolha personaliza a campanha e as referências que o eleitor toma em conta, levando a que a figura do candidato a prefeito, em geral, prevaleça na decisão do voto.

O candidato a vice deve ter ou não identidade política e ideológica com o candidato a prefeito que ocupa a cabeça de chapa? Eles têm de ser parecidos ou vale apostar em alguém que tenha diálogo com outro eleitorado? O eleitor percebe essas nuances? É muito difícil que haja combinações esdrúxulas em uma chapa eleitoral, mas o centro político-partidário paulistano é amplo e o arco de possibilidades de articulação, largo. Isso significa que os discursos são muito semelhantes. É possível que candidatos de chapa atinjam eleitorados distintos. Mas isso se deve menos a distinções ideológicas e mais ao campo de ação dos políticos envolvidos, redutos específicos, categorias profissionais, segmentos sociais etc.

Como o fato de José Serra (PSDB) ter deixado o cargo de prefeito e de governador aumenta as especulações sobre quem será o vice dele? Pode ser uma escolha mais decisiva do que em eleições passadas? A questão será certamente lembrada durante a campanha pelos seus opositores, apontando o descomprometimento com o voto do eleitor. No caso do Serra, a figura do vice será certamente mais central que para os demais, e é possível cogitar que uma chapa pura peessedebista esteja no cálculo do partido, por causa dessa possibilidade (deixar o cargo). São Paulo - Estado e capital - são territórios políticos que o PSDB não pode e não quer perder.

Qual o papel do vice-prefeito durante a gestão? É um cargo "decorativo", apenas de articulação política? O que imprime o papel do vice é a natureza da gestão do prefeito eleito, o caráter centralizador, a importância conferida a determinados territórios da política local.

Mais conteúdo sobre:
eleições 2012viceserra

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.