Vice de Requião flerta com Dilma e Serra para 2010

Orlando Pessuti, pré-candidato do PMDB ao governo do Paraná, busca apoio para suceder atual governador

Evandro Fadel, CURITIBA, O Estadao de S.Paulo

20 de junho de 2009 | 00h00

O vice-governador do Paraná, Orlando Pessuti (PMDB), candidato declarado à sucessão do atual governador do Estado, Roberto Requião (PMDB), disse flertar com o PT e com o PSDB para compor alianças e criar palanques para a corrida eleitoral do ano que vem. Ele não esconde a preferência pela pré-candidata petista, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, mas afirma ter mantido contatos com o chefe da Casa Civil do governo paulista, Aloysio Nunes Ferreira, que tem buscado apoio à possível candidatura do governador tucano José Serra.O vice de Requião buscou reforçar a presença de Dilma no Paraná em contatos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Atualmente, o PT tem pouca receptividade no Estado e um palanque limitado. O partido nunca conseguiu eleger o prefeito da capital, Curitiba, dominada pelo DEM e pelo PSDB. Tampouco obteve votação expressiva em nível estadual para o cargo de governador. Uma aliança abriria a possibilidade de crescimento da legenda no Paraná.Sobre um possível acerto com os tucanos, Pessuti esbarra na forte aprovação do prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), reeleito para o cargo com ampla margem de votos. Richa não assume a pré-candidatura para o governo do Paraná, mas seu nome é cogitado para suceder Requião, ao lado do senador Álvaro Dias (PSDB), que já colocou seu nome à disposição do partido. "A dificuldade é grande porque temos dois bons candidatos", disse o presidente do PSDB no Paraná, o deputado estadual Valdir Rossoni.A luta do vice de Requião para reunir forças para 2010 tem alvo definido. É o senador Osmar Dias (PDT), que já articula um projeto de governo para o Paraná. Pesa ainda o fato de que Osmar tem experiência em disputas pelo governo do Estado. Ele perdeu a última eleição para Requião por apenas 10 mil votos.Osmar Dias, que é irmão do tucano Álvaro Dias, licenciou-se da presidência regional do PDT para se dedicar a reuniões pelo Estado. "Estou com minha candidatura na estrada e não tenho como recuar", afirmou. O nome de Osmar é bem aceito por lideranças petistas. "Houve uma aproximação grande", afirmou o senador. "As conversas com o PT avançam na mesma velocidade da candidatura própria do PSDB.""É um nome bem posicionado", afirmou a presidente do PT no Paraná, Gleisi Hoffmann, mulher do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. "O PDT faz parte da base do governo, sempre foi nosso aliado e agora busca uma reaproximação, por isso não é nenhum absurdo um apoio", disse.Apesar do cenário positivo para uma candidatura de Osmar Dias, será preciso uma definição rápida do PSDB. O senador não admite que haja uma disputa familiar com o irmão e colega de senado. "Gostaria de uma definição até agosto", disse Álvaro.DEBATE FRUSTRADOA primeira tentativa de reunir os postulantes ao governo do Paraná partiu do próprio governador, Roberto Requião. Ele propôs, em convite, um debate a ser transmitido pela TV estatal, a Educativa, que está sob seu controle. A intenção, porém, foi frustrada. Apenas seu vice, Orlando Pessuti, e Álvaro Dias toparam de imediato. O senador Osmar Dias e o prefeito Beto Richa (PSDB), não aceitaram participar.Sabendo que suas propostas nem sempre são vistas com bons olhos pelos adversários políticos, Requião tratou de esclarecer o convite. "Esse programa não é nenhuma armadilha", assinalou. Segundo ele, o objetivo seria "dar outra dimensão à política do Paraná". Álvaro Dias disse que está disposto ao debate entre todos ou com apenas um, e que aceita participar também de uma entrevista individual. "Mas sem qualquer vinculação com candidatura", salientou.Mas, de acordo com a assessoria de Richa, o convite fala em "pré-candidatos ao governo". E o prefeito de Curitiba justificou a recusa dizendo que em nenhum momento apresentou-se como candidato.Já Osmar Dias acentuou que ainda não é o momento para se fazer debate político. "Se for uma entrevista sobre qualquer tema, posso ir", dispôs-se. Mas ele, que está entre os adversários mais aguerridos de Requião, ressaltou a importância do convite. "Fico feliz que a televisão esteja se abrindo para todas as pessoas. Deveria ter sido assim sempre", disse. Até agora, a TV Educativa é vista pelos adversários como propriedade do governo.

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