Vice de Marta diz que PMDB e PL condicionam apoio a cargos

O pré-candidato a vice-prefeito pelo PT, Rui Falcão, admitiu hoje que o PMDB e o PL pleiteiam cargos em uma eventual segunda gestão da prefeita e candidata à reeleição, Marta Suplicy, em troca de apoio à candidatura petista. "Não se trata de cobrança, mas sim de reivindicação, que é legítima", afirmou Falcão após cerimônia na qual passou o cargo de secretário de Governo a Jilmar Tatto, que ocupava a Secretaria dos Transportes. Ele se desligou da Prefeitura paulistana para coordenar a campanha do partido na capital e compor c hapa com Marta.Antes de se desligar do cargo, Falcão recebeu no Palácio Anhangabaú os líderes do PL e PMDB na Câmara, respectivamente Antônio Carlos Rodrigues e Milton Leite, e também o líder do governo, João Antônio. Falcão garantiu que os parlamentares "não vieram cobrar nada". "Eles (Rodrigues e Leite) vieram me cumprimentar e também o Jilmar e saíram rápido por causa da sessão na Câmara", afirmou.O pré-candidato a vice pelo PT disse que as negociações com o PMDB e PL continuam. "Assim como as conversas com o PC do B, PTB, PRTB e PPN e quantos mais quiserem respaldar nosso programa de governo." Falcão disse que a participação dos aliados no segundo governo consecutivo do PT na capital paulista é natural. "Em todas as sociedades democráticas os partidos que se coligam governam juntos", afirmou. Até para que, continuou ele, "tenham responsabilidade em torno do programa que sufragaram nas urnas".Perguntado sobre quais secretarias PMDB e PL poderiam obter em caso de reeleição de Marta, Falcão respondeu: "Para discutir pastas é preciso ter outro governo. Vamos disputar a eleição. Não subestimamos nossos adversários, não ganhamos a eleição antes do tempo e nem vamos andar de salto alto." Falcão garantiu que o PT pode, neste momento, oferecer ao PMDB e PL "uma cidade melhor, participação no governo, responsabilidade sobre a cidade e crescimento político em chapa proporcional". "Conosco não há moeda de troca, mas sim relações políticas", enfatizou.Ele negou que haja pressão da direção nacional do PT ou do governo federal para que o PMDB ocupe seu lugar como candidato a vice-prefeito.Sobre a criação da Frente Alternativa para São Paulo - formada por PMDB, PDT, PSB, PPS e PL -, Falcão afirmou: "Cada partido tem direito de buscar seus caminhos. Se ela (frente) se consolidar, nós vamos enfrentar. Mas nossa expectativa é que PMDB e PL co ntinuem conosco." Ao deixar a secretaria municipal de Governo, Falcão recebeu da prefeita Marta Suplicy um ramalhete de liziantos brancos. Ela garantiu que Falcão retorna ao governo em novembro, após as eleições. "Aí, eu espere recebê-lo de volta com flores vermelhas (cor do PT)", disse ela. Tatto, que já foi secretário de Abastecimento, Subprefeituras e Transportes, assumi o lugar de Falcão interinamente.

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