Vice de Itamar vê tentativa de destruir o PMDB

A executiva nacional do PMDB ainda nem havia se reunido, e o vice-governador de Minas Gerais, Newton Cardoso, saiu em defesa de seu espaço na disputa eleitoral mineira, de olho no Palácio da Liberdade.Preocupado com os desdobramentos da reunião, montada para forçar a renúncia do governador Itamar Franco (PMDB-MG) à pré-candidatura ao Palácio do Planalto, Cardoso lembrou logo o acerto entre os dois, que lhe dá a cabeça de chapa na disputa estadual.?O Itamar vai para Minas discutir que caminho tomará, mas a reeleição não está em jogo, porque ele já disse que não é candidato ao governo em hipótese alguma?, antecipou o vice.Sem mencionar acordo com o titular, Cardoso salientou que o governador já revelou que não está disposto a disputar o segundo mandato até para ?o grande público? do PMDB. ?O Itamar é um homem muito sério; não faltará com a palavra?, arriscou.Antes da reunião, Cardoso ainda tentou intermediar um acordo entre Itamar e o presidente nacional do partido, deputado Michel Temer (SP), em torno do colégio eleitoral das prévias. Em vão.Enquanto Itamar defendia prévias amplas, com 100 mil pessoas, Temer insistia em um colegiado ?representativo, porém muito mais reduzido?, em torno de 6 mil pessoas. ?O problema é que eles não se entendem e cada um puxa para um lado?, lamentou Cardoso no final da manhã, ao se queixar da intransigência de ambos.?Quem perde com isto é o partido porque, sem o Itamar na corrida presidencial, até o Eneas (o eterno candidato do Prona) ganha do PMDB.?O vice-governador está convencido de que a articulação anti-Itamar tem o dedo do Planalto. ?A inteligência do Palácio é que ele está usando o PMDB para destruir o PMDB?, disse, ao apontar uma aliança entre o presidente Fernando Henrique Cardoso e a nova cúpula do partido.Ao prever a derrota de Itamar na executiva, Cardoso denunciou os ?métodos? do governo para ajudar a direção do partido a vencer o governador mineiro.?Vão usar as emendas dos peemedebistas ao Orçamento para corromper as prévias e enterrar o partido?, previu.A proposta de fixar o eleitorado das prévias em no máximo 6 mil pessoas reduz o universo dos eleitores às bases dos parlamentares do PMDB.São estas bases que, segundo Cardoso, o governo pretende seduzir com a liberação de recursos para atender às emendas parlamentares voltadas para as demandas municipais.

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