Vice de Campos-RJ diz que suspeitava de fraudes

Roberto Henriques assumiu lugar de Alexandre Mocaiber, suspeito de integrar esquema de superfaturamento

ALEXANDRE RODRIGUES E MARCELO AULER, Agencia Estado

12 de março de 2008 | 19h04

O vice-prefeito de Campos dos Goytacazes, Roberto Henriques (PMDB), assumiu ainda na noite desta quarta-feira, 12, a prefeitura da cidade dizendo que já suspeitava do esquema de fraudes em licitações e superfaturamento de obras, descoberto pela Polícia Federal na terça-feira. Ele disse ter alertado o prefeito Alexandre Mocaiber (PSB), que foi afastado pela Justiça por suspeita de envolvimento no esquema desarticulado pela Polícia Federal na Operação Telhado de Vidro. Os agentes prenderam 14 pessoas, entre empresários e secretários municipais. Henriques, que é aliado do ex-governador Anthony Garotinho (PMDB), começou hoje a fazer a substituição dos secretários."Desde os primeiros dias do meu mandato, eu me contrapus a toda essa prática administrativa instalada em Campos. Procurei sempre alertar Mocaiber", afirmou Henriques. Ele lamentou que a cidade esteja novamente envolvida em escândalos políticos. Mocaiber nega as acusações. A defesa dele se queixou hoje à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) por não ter conseguido ter acesso aos dois inquéritos - criminal e de improbidade administrativa - que tramitam na Justiça Federal de Campos contra ele para formular um recurso contra o seu afastamento. Os autos do inquérito estavam com o procurador da República Eduardo Santos de Oliveira. Ele pretendia entregar os inquéritos na Justiça ainda hoje, justamente para evitar a alegação de cerceamento de defesa. Sem acesso aos autos, os advogados do prefeito e dos presos não podem tomar nenhuma medida judicial para reverter a situação.PrisõesNo Rio, os presos - entre eles dois secretários e o ex-procurador geral do município - foram encaminhados para a cadeia da Polinter depois de ouvidos pelo delegado Bruno de Oliveira Lopes. O procurador explicou que não pretende solicitar a prorrogação da prisão temporária de cinco dias. Ele vai denunciar todo o grupo no início da semana que vem, tão logo receba os interrogatórios dos presos. Diz já possuir dados suficientes para propor os processos de crimes contra a ordem tributária e fraudes em licitações contra os envolvidos. "Só não denunciei o prefeito ainda por improbidade administrativa para não ser acusado de afoito. Quando for possível tornar público os monitoramentos telefônicos, todos verão que os elementos que levantamos são graves", disse.Henriques é o quinto prefeito a tomar posse em Campos desde outubro de 2004, quando a eleição municipal terminou anulada pela caracterização de compra de votos generalizada. Pouco antes da eleição, o atual deputado federal Arnaldo Vianna (PDT-RJ) foi afastado do cargo por suspeita de improbidade administrativa. Ele foi substituído pelo vice, o também deputado Geraldo Pudim (PMDB-RJ), seu desafeto e aliado de Garotinho, que concorria à prefeitura. De volta à prefeitura, Vianna conseguiu derrotar Pudim, elegendo Carlos Alberto Campista (PDT) como sucessor. No entanto, a Justiça caracterizou a compra de votos pelas duas candidaturas e anulou a eleição. Campista foi cassado em 2005, dando lugar a Mocaiber, que era presidente da Câmara dos Vereadores. Numa nova eleição, Mocaiber venceu Pudim, derrotando o grupo de Garotinho. Em seu blog na internet, o ex-governador comemorou a operação e afirmou que há mais irregularidades a serem descobertas sobre a gestão de Mocaiber. Os dois grupos antagônicos já foram um só. Vianna foi vice de Garotinho, quando o ex-governador foi prefeito da cidade, e o sucedeu com o apoio dele. A disputa política e a troca de acusações começou a partir do desentendimento dos dois.

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