Vice de Cabral agradece empreiteira ao inaugurar teleférico no Complexo do Alemão

Luiz Fernando Pezão citou empresa envolvida na crise vivida pelo governador do Rio

Alfredo Junqueira e Luciana Nunes Leal, da Agência Estado

07 de julho de 2011 | 19h28

 

 

RIO - Chamado de "Pai do PAC" pela presidente Dilma Rousseff, o vice-governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), comemorou como uma vitória sobre os "ministérios públicos" a inauguração do teleférico do Complexo do Alemão. Em seu discurso, ele também agradeceu às empreiteiras responsáveis pela obras. Citou, inclusive, a Delta Construções - empresa que está no centro da pior crise política enfrentada pelo governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) desde que ele assumiu seu primeiro mandato, em janeiro de 2007.

"Ninguém sabe no Brasil mais do que a senhora (Dilma Rousseff) o que é fazer obra pública neste País", disse Pezão. "Eu queria aqui dividir esse momento (...) por nós estarmos celebrando de vencer a burocracia toda, de vencer os ministérios públicos, de vencer todas as dificuldades que existem num processo como esse", argumentou o vice-governador.

Pezão comentava as dificuldades de se fazer obras públicas no Brasil quando se declarou vitorioso em relação aos órgãos responsáveis pela "defesa dos direitos sociais e individuais, da ordem jurídica e do regime democrático", conforme explica a página da Procuradoria Geral da República (PGR) na internet.

Braço direito e possível candidato à sucessão de Cabral (PMDB), Pezão também fez questão de agradecer à engenharia brasileira, antes de citar todas as empresas responsáveis "por essa obra extraordinária". Ao falar da Delta Construções, Pezão poupou Cabral do constrangimento de fazer menções à empresa.

Há 20 dias, Cabral pegou um jato emprestado do empresário Eike Batista, do grupo EBX, para ir à Bahia participar dos festejos de aniversário do dono da Delta em um resort. A queda de um helicóptero que servia aos familiares do político e do empreiteiro provocou a morte de sete pessoas e tornou pública a intimidade entre os dois. Cavendish perdeu a mulher, Jordana, e o enteado, Luca. No helicóptero também estava Mariana Noleto, de 20 anos, namorada de Marco Antonio Cabral, filho do governador.

Pezão havia acabado de chegar à Sicília, na Itália, para passar férias quando ocorreu o acidente. Pegou o primeiro voo de volta ao Brasil para ajudar o governador a tentar administrar a crise. O governo Cabral já pagou mais de R$ 1 bilhão à Delta, de Cavendish. Pelo menos R$ 207 milhões têm origem em contratos assinados com dispensa de licitação. Eike, que emprestou o avião para Cabral, recebeu R$ 79,2 milhões em benefícios fiscais para a EBX durante a gestão do peemedebista. Para tentar contornar a crise, o governador editou um código de conduta para a alta administração estadual e vem concedendo aumentos e benefícios ao funcionalismo.

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