Vice de Alckmin atribui pane no impostômetro a ação de hacker

Serra ironizou o acontecimento e disse que saia justa pode ter sido provocada por 'alguma criação de sigilo de algum anãozinho, já que isto é moda no Brasil'

Carolina Freitas, da Agência Estado

30 de agosto de 2010 | 14h56

SÃO PAULO - A pane no painel do impostômetro que causou uma saia justa para o candidato do PSDB à Presidência, José Serra (PSDB), no início da tarde desta segunda-feira, 30, pode ter sido causada por uma ação de hackers no sistema que contabiliza a arrecadação de impostos em todo o País. De acordo com o candidato a vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, uma falha no Paraná derrubou o sistema. "Há uma grande possibilidade de ter sido hacker. É uma suspeita bem confirmável."

 

Afif faz parte da direção da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), que alimenta e mantém o impostômetro, um grande letreiro no centro de São Paulo com o valor dos impostos arrecadados a cada ano. O plano de Serra era ser filmado e fotografado em frente ao painel na hora em que fosse registrada a marca de R$ 800 bilhões. Cerca de dez minutos antes da virada, no entanto, o letreiro apagou.

Serra tentou encarar o percalço com bom humor. "Vai ver algum anãozinho foi lá e criou o sigilo para isso. A moda no Brasil é quebrar sigilo. Aí, nesse caso, foi construir o sigilo", disse, após uma caminhada pelo centro da capital e um cafezinho numa lanchonete. O candidato tucano ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin, que acompanhava Serra no evento, também ironizou a situação. "O painel não aguentou tanta arrecadação."

 

Os apoiadores de Serra evitaram relacionar o PT ao incidente, mas a suspeita ficou implícita. "É difícil falar que foi. Cada um tem sua motivação. Não posso afirmar que tenha sido alguém do PT, mas basta imaginar a quem interessa. É no mínimo molecagem", afirmou Afif.

 

Críticas

 

Mesmo com o imprevisto, Serra aproveitou a oportunidade para criticar a carga tributária imposta aos brasileiros pelo governo federal. Após o sistema voltar a funcionar, o candidato voltou para a frente do impostômetro, onde prometeu, se eleito, diminuir impostos, sobretudo para as pessoas de baixa renda, e sobre bens de consumo. "Não é que a gente deva esfolar quem ganhar mais, mas não deve esfolar quem ganha menos", afirmou. O tucano disse não ter uma meta precisa de redução da carga tributária, mas afirmou dispensar a necessidade de uma reforma nessa área. "A maioria das coisas você pode mexer por lei. O que precisa é ter uma política de declínio gradual dos impostos."

 

O candidato lembrou mais uma vez uma afirmação de sua adversária, Dilma Rousseff (PT), que tentou relativizar os altos impostos. "A Dilma acha a carga tributária no Brasil boa. Eu acho excessivamente alta. E vou diminuir os impostos."

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