Viana propõe nova frente de negociação com tucanos

Para presidente interino do Senado, governo pode ceder ?um pouco mais?

Clarissa Oliveira, O Estadao de S.Paulo

10 de novembro de 2007 | 00h00

O presidente interino do Senado, Tião Viana (PT-AC), propôs ontem que o governo abra uma nova frente de negociação com o PSDB para aprovar a emenda que prorroga a CPMF, após a primeira tentativa de um acordo com a legenda de oposição ter fracassado. Apesar de se dizer confiante na possibilidade de a matéria ser aprovada até o dia 11 de dezembro, o senador petista argumentou que o atual cenário aponta para uma votação "muito difícil". "Os votos estão sendo contados pescoço a pescoço", admitiu Viana. "Acho que o governo deu um primeiro passo de entendimento com o PSDB e o PSDB se mostrou sensibilizado. Agora, temos de ter no governo um segundo esforço na direção do PSDB, dos senadores e dos governadores, deixando claro o entendimento do que representa a CPMF. Ou seja, cedendo um pouco mais para consolidar uma chance de aprovação da matéria", completou.Viana disse ver no PSDB uma atitude condizente com seu papel de partido de oposição. "O PSDB usa todos os recursos para manter sua credibilidade junto à bancada na Câmara, aos deputados que votaram contra a CPMF. E, ao mesmo tempo, usa seu esforço para defender um ajuste que fortaleça os Estados e reduza a alíquota da contribuição. Ele está no seu papel", afirmou o senador, que esteve ontem em São Paulo para um almoço com representantes da área médica na Universidade Anhembi-Morumbi."O governo agora vai ter de utilizar seus recursos de inteligência política para promover esse entendimento. Está no tempo e nos termos de um debate duro como a CPMF. Dá tempo", acrescentou.REAÇÃOViana aproveitou para comentar a decisão do presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), senador Marco Maciel (DEM-PE), de apresentar um ofício à mesa diretora da Casa para estender por mais 30 dias a tramitação da matéria. O presidente interino do Senado avaliou que a manobra refletiu a desconfiança que pairava sobre o acordo para que a leitura do relatório na CCJ ocorresse na próxima segunda-feira, o que abriria a possibilidade de realizar a votação da proposta de emenda na terça-feira. "Não tivemos esse acordo cumprido porque o senador Marco Maciel entendeu que havia um risco de o acordo ser quebrado do lado do governo, que poderia não dar quórum à votação nesta reunião da segunda-feira", disse o senador.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.