Viana envia ao ministro da Justiça novos documentos de Renan

PF entrega perícia de outro lote de documentos ao Conselho de Ética nesta terça

Rosa Costa, do Estadão,

21 de agosto de 2007 | 12h24

O primeiro-vice-presidente do Senado, senador Tião Viana (PT-AC), disse nesta terça-feira, 21,1, que enviou novos documentos sobre supostas vendas de gado das fazendas do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL),ao ministro da Justiça, Tarso Genro. A Secretaria da Fazenda de Alagoas havia enviado um novo lote de documentos a Viana na segunda.   Viana afirmou que a Polícia Federal lhe entregará o resultado de outra perícia nos documentos - iniciada há mais de 20 dia - nesta tarde. Renan responde a processo por quebra de decoro, sob a acusação de ter despesas pessoais pagas pelo lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior. Com a papelada, Renan buscou provar que faturou R$ 1,9 milhão em quatro anos com venda de gado e tinha renda para pagar pensão à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha, não precisando de ajuda de Gontijo.   O senador disse que, quanto mais rápido o Conselho de Ética agir, na apreciação das representações apresentadas contra Renan, melhor será para o Senado. "Esse processo é lento. Seria melhor para a instituição se a demora fosse menor. Quanto antes forem examinados (os processos), melhor."   Tião Viana lembrou que o processo contra Renan no Conselho de Ética começou há 90 dias. Disse que não lhe cabe deduzir se a chegada dos novos documentos - enviados pelo governo alagoano - fariam parte ou não de uma nova tática de Renan para atrasar o processo.   Se for condenado, Renan pode ser cassado e ter os direitos políticos suspensos. Na tentativa de ampliar seu espaço de defesa, o conselho pediu à PF que adiasse a entrega do laudo e analisasse novo lote de documentos, enviado na segunda pela Secretaria da Fazenda de Alagoas. Mas o Instituto Nacional de Criminalística (INC), responsável pela perícia, recusou-se a retardar o trabalho, após dois meses de adiamentos, alguns atribuídos a aliados do senador. Ficou acertado que, se os documentos tiverem fatos novos, será feito um adendo ou uma revisão.   Alguns integrantes do Conselho de Ética afirmam que a chegada desses documentos seriam uma estratégia para permitir que, mais adiante, o advogado de Renan passe a argumentar que tais documentos não foram periciados pela Polícia Federal.   Laudo   O laudo que será entregue nesta tarde ao Conselho de Ética deve revelar inconsistências na evolução patrimonial de Renan e fragilidade nas notas e recibos, muitos emitidos por empresas inidôneas. A papelada mostra que ele tinha renda para pagar pensão a Mônica, mas não prova que todo o dinheiro saiu do seu bolso.   Os peritos do INC constataram, na análise dos documentos, que a fortuna acumulada por Renan nos últimos anos não tem amparo nas suas rendas de parlamentar e pecuarista. A movimentação bancária dele no período de 2002 a 2006 está acima da renda declarada e o montante a descoberto não tem origem justificada. Os recibos e notas fiscais apresentados como defesa também não são suficientes para comprovar que Renan faturou R$ 1,9 milhão com a venda de gado no período.   Uma cópia do laudo será entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF), que abriu inquérito sobre suspeitas de enriquecimento ilícito, uso de documentos falsos, prevaricação e crime financeiro. A perícia responderá a 30 quesitos formulados pelo conselho. Poucas são favoráveis ao senador, como o fato de que o preço do gado está dentro do valor de mercado e não há sinais de superfaturamento.   O presidente do conselho, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), informou que depois de receber o laudo dará cinco dias para Renan apresentar defesa. Em seguida, abrirá prazo para os relatores darem seu parecer. A previsão de Quintanilha é de que o processo possa ser julgado no fim de setembro. Se o conselho aprovar parecer pela cassação, ele seguirá para o plenário, onde precisará dos votos de 41 senadores, a maioria absoluta.

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