Viana apóia decisão de Lula sobre ´tirar espaço´ do PT

Um dia depois de Lula ter anunciado que vai "tirar espaço" do PT, o governador do Acre, Jorge Viana (PT), um dos líderes da ala moderada, disse nesta quinta-feira que o partido não deve atrapalhar o presidente Lula na montagem do Ministério. Já o presidente interino do partido, Marco Aurélio Garcia, afirmou que não se preocupa com a redução do espaço, porque o governo será de coalizão. "O PT tem o melhor espaço, que é o cargo do presidente. Quem tem esse cargo não deve brigar por outro. Não podemos querer criar crise de algo que não existe", afirmou Jorge Viana, logo depois de reunião com o presidente no Palácio do Planalto. "Temos que nos recolher um pouco", disse. Ele contou que o presidente está tão empenhado na composição de seu Ministério e nas consultas aos partidos aliados, que "pensa 25 horas por dia em como vai formar o governo do segundo mandato".Para Garcia, não será ruim para o PT ter uma menor representatividade no governo no próximo mandato. "Ruim para o PT é se nós tivéssemos um governo sem programa, sem orientação. Nós temos um governo com programa e com orientação. E o PT terá aquela participação que merece. Acho que será uma boa participação", disse, logo depois de participar de uma reunião com a bancada do PT.Viana também afirmou que em sua opinião o PT foi o grande vencedor, porque foi feita até a previsão de que o partido poderia desaparecer depois de se envolver em seguidos escândalos. "Por isso, o PT precisa é comemorar a vitória e não ficar arrumando crises. Quem tem de estar em crise é quem perdeu a eleição".Já sabiaViana, ao saber, nesta quinta, da declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que não pretende substituir o ministro da Fazenda, Guido Mantega (PT), nem o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles (ex-PSDB que se juntou à sigla para assumir o BC), contou ter ouvido afirmação dele no mesmo sentido, pela manhã, em audiência no Palácio do Planalto. Viana disse que Lula, na ocasião, concordou com sua interpretação de que a população, ao reelegê-lo, votou na política econômica do governo e acrescentou: "É por isso que não tenho motivos para mudar."O governador contou ter dito ao presidente: "Eu até estranho que colegas nossos petistas tenham feito tanta crítica a respeito da economia (na campanha eleitoral e após a eleição). Ficou claro que o povo votou na política econômica do governo. Quero dizer que não concordo com os petistas que fizeram críticas à política econômica, porque, para mim, o eleitor votou na política econômica, que foi uma política de governo vitoriosa."Apontado sempre como um dos nomes preferidos do presidente Lula para uma pasta ministerial, Viana disse que não foi ao Planalto reivindicar um lugar na equipe. "Vim apenas comunicar que vou transferir o abacaxi (o mandato de governador)", afirmou ele. Corrigiu logo em seguida. "Vim transferir o bastão". Viana estava acompanhado do sucessor, o também petista Binho Marques.Viana afirmou que o presidente Lula lhe confiou que tem feito consultas para a montagem do governo, mas não tem ainda nenhuma escolha nova - na quarta-feira, Lula sinalizou que vai manter no Ministério da Educação o petista Fernando Haddad. É provável que também convide o ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia (PTB), para continuar em sua equipe no segundo governo.

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