"Viagra brasileiro" chega às farmácias em breve

As farmácias vão receber em breve mais um remédio contra disfunção erétil. A notícia nem seria inovadora não fosse um detalhe: trata-se do primeiro medicamento brasileiro do gênero. O dono da patente do "Viagra brasileiro" é o laboratório Cristália, com sede em Itapira, a 172 km de São Paulo. "Pretendemos lançar a pílula até meados do ano que vem", afirma o presidente do Cristália, Ogari de Castro Pacheco. A data exata depende de uma etapa que está para ser decidida nas próximas semanas: o início dos testes com seres humanos, que vai durar cerca de nove meses.A pesquisa, iniciada há um ano e meio, já foi testada e aprovada com cães da raça beagle, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A próxima etapa, com humanos, é a mais demorada, já que depende da aprovação de um Comitê de Ética em Pesquisa. "O aval deverá sair até junho", diz o responsável pelo estudo, Gilberto de Nucci, presidente da Cartesius, da Universidade de São Paulo (USP), um dos maiores centros de estudos de novos medicamentos do Brasil, e professor de Farmacologia tanto da USP como da Unicamp.A nova molécula desenvolvida por Nucci tem o mesmo princípio ativo dos concorrentes. Ela inibe uma enzima chamada fosfodiesterase, que, em excesso no organismo, dificulta a vasodilatação do pênis.As pílulas terão cor branca. "Ao contrário do que ocorre com os concorrentes, todos coloridos, o nacional será discreto e poderá ser ingerido em público, sem que seja identificado", diz Pacheco.O remédio virá para disputar um mercado rentável. Estima-se que no Brasil metade dos homens com idade entre 40 e 70 anos sofre com algum grau de disfunção erétil. Para se ter uma idéia do filão, a Pfizer, fabricante do campeão de vendas Viagra, faturou em 2003, só no Brasil, R$ 203,3 milhões com o medicamento (ou 10,8 milhões de comprimidos vendidos). O valor é oito vezes mais alto que o registrado em 1998, quando a pílula azul chegou às prateleiras do País.O nacional deverá abocanhar um público de poder aquisitivo inferior ao que hoje consome remédios para ereção. A promessa do laboratório é de que chegue ao mercado com preço no mínimo 30% inferior aos estrangeiros. O nome previsto da medicação, também em fase de aprovação, é Lifafil.

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