''''Viagens trazem bola de neve de desenvolvimento''''

Recordista em idas ao exterior, ele sustenta que divulgação do Estado renderá US$ 12 bilhões em investimentos

Entrevista com

Silvia Amorim, O Estadao de S.Paulo

26 Janeiro 2008 | 00h00

Campeão de viagens em missões oficiais ao exterior em 2007, o governador de Santa Catarina, Luiz Henrique (PMDB), defendeu que a divulgação do Estado pelo mundo vai render US$ 12 bilhões em investimentos nos próximos cinco anos. Bastante solicitado para comparecer a eventos internacionais, ele disse que, "se fosse atender a todos os convites, passava o tempo todo viajando". Na sexta-feira, quando concedeu entrevista ao Estado, Luiz Henrique estava em Brasília. Ontem embarcou para a França, em nova missão oficial.O título de governador que mais viajou em 2007 o incomoda?Os empresários do meu Estado, eu os acompanho bem, que tiveram mais êxito nos seus negócios foram os que mais viajaram. Porque tiveram contato com clientes internacionais, conheceram novas tecnologias e puderam modernizar e ampliar sua produção. Santa Catarina estará recebendo nos próximos cinco anos US$ 12 bilhões de investimentos. Para um PIB de US$ 48 bilhões, isso é altamente significativo. Boa parte disso está ligado a investimentos de estrangeiros. Quais os investimentos já confirmados e que são resultados dessas viagens?O grupo Marcegaglia, que visitamos no ano passado, na Itália, confirmou um investimento que vai quadruplicar a sua indústria no município de Garuva. Em Firenze, a empresa EL EM já decidiu produzir máquinas a laser para desenho têxtil em Blumenau. A Contour Global, que foi visitada por mim e pelo vice-governador, confirmou investimento em quatro usinas para gerar energia a partir de dejetos suínos que temos, eliminando um déficit ambiental fantástico. Quais outras áreas de interesse do Estado no planejamento dessas incursões internacionais?Santa Catarina, que só recebia turista argentino, uruguaio e paraguaio, está sendo invadida por turistas norte-americanos e europeus em razão das várias reuniões que eu tive com as agências de viagens européias e norte-americanas. O príncipe herdeiro de Marrocos está em férias em Florianópolis. Essa descoberta de Florianópolis fez-se pelo contato que fiz num fórum em Londres, onde apresentei Santa Catarina e onde havia uma delegação marroquina. Em todas as viagens que nós fizemos distribuímos material audiovisual e impressos no idioma dos países que nós visitamos. É uma bola de neve que está se produzindo de desenvolvimento e que eu atribuo a essas viagens.O senhor já sabe quando e para onde vai na sua próxima viagem em missão internacional? Amanhã (sábado) parto para uma viagem ao sul da França para participar, a convite, de um fórum de microeletrônica.Esse ritmo intenso de viagens ocorreu também no primeiro mandato?É tudo decorrente do primeiro mandato. No começo nós abrimos as portas. Hoje nós recebemos muitos convites. Se eu fosse atender a todos os convites, eu passava o tempo todo viajando.Então 2007 foi o ano em que o sr. mais viajou?Eu não sei. Mas 2007 foi muito importante porque tivemos contatos importantes no Japão e na Califórnia. Tivemos a confirmação de um financiamento que chegará a US$ 400 milhões em oito anos com o JBIC (banco japonês). Esse empréstimo, que estamos trabalhando desde o começo do primeiro mandato, vai nos permitir ampliar de 8% para 80% a cobertura da rede de esgoto do Estado. Com o Banco Mundial e o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) já combinamos a continuidade de financiamentos para pavimentação de rodovias e a agricultura familiar.Quanto o sr. gastou com essas viagens em 2007?Isso só o secretário da Fazenda, depois de um levantamento, poderá te informar. O senhor diria que o custo-benefício compensa?Claro. É extraordinário. Quem o acompanha nas viagens?Da parte do governo, vai a minha equipe técnica. Há sempre uma representação da Assembléia Legislativa. Um deputado governista e um oposicionista para que o Legislativo acompanhe a eficácia das viagens e empresários dos setores interessados em investir nas áreas prospectadas. Tudo custeado pelo Estado?Não. A Assembléia paga o gasto dos seus deputados. Os empresários vão por conta própria e o governo banca os seus. Especialistas dizem que é legítimo esse tipo de atuação dos governadores, mas desde que feito com transparência em relação aos gastos e resultados. O sr. atende a essas exigências?As nossas viagens são sucedidas de entrevistas à imprensa, em que podem questionar todo o programa da viagem e de relatório à Assembléia Legislativa. E até hoje não houve nenhuma contestação até porque eu sou conhecido de fazer viagem sem nenhuma brecha para passeio. Eu propriamente conheço nessas viagens o hotel e os locais das reuniões.O sr. nunca tirou um dia nessas viagens para fazer turismo como alguns vereadores que foram flagrados no fim do ano passado na Argentina?De jeito nenhum. Isso é um absurdo.

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