Viagens de Serra são boas para oposições, diz Aécio

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) classificou como "absolutamente natural e bom para as oposições" que o ex-prefeito de São Paulo José Serra viaje pelo Brasil e se manifeste sobre questões políticas. "Como eu também acho positivo que a Marina Silva caminhe pelo Brasil, que o Eduardo Campos faça isso. Ruim seria se o Eduardo e Marina estivessem no campo do governo, fortaleceria o governo", disse nesta segunda-feira, 28.

RICARDO LEOPOLDO E FRANCISCO CARLOS DE ASSIS, Agência Estado

28 Outubro 2013 | 22h00

"Na hora certa o PSDB estará unido. Temos consciência de que a nossa unidade é o nosso mais vigoroso combustível para enfrentar o governo", destacou o senador. "Eu tenho conversado com o companheiro Serra e é legítima a sua postulação. Ele é um quadro extraordinário da vida pública brasileira. Mas o partido, no momento em que tomar uma decisão, qualquer que seja ela, estaremos absolutamente unidos."

Perguntado pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, se Serra seria um bom vice na chapa do PSDB, que seria encabeçada por ele, Aécio Neves respondeu. "Isso sequer foi cogitado. Não está na nossa agenda de hoje. Essa é uma questão para o ano que vem. Não temos candidato definido", disse. "E acho que estrategicamente não devemos ter. Em Minas Gerais dizemos que a política é arte de administrar o tempo. Não acho também que a gente possa ser engolido pelo tempo. Mas também precipitar as coisas, não há sentido para isso", ponderou. "No início do ano que vem, fevereiro e março, é um bom momento para que o PSDB tenha candidatura, com um discurso muito claro", destacou.

O senador tucano mencionou que em dezembro o PSDB deverá anunciar "uma agenda", que seria a base de um programa de governo. "Ela será lançado para que ele possa ser debatido, discutido no início do ano. E quando tivermos uma candidatura, que as pessoas já enxerguem nela o que pensamos em relação ao financiamento da saúde, federação, política externa e gestão social do Brasil.", comentou. "É uma agenda para o futuro. Eu tenho uma convicção. A agenda que está em curso no Brasil foi proposta por nós lá atrás, com estabilidade da economia, lei de responsabilidade fiscal, modernização da economia, que vem sido de alguma forma conduzida pelo PT, e mal conduzida, diga-se de passagem."

Segundo o senador, o PT não lançou uma agenda nova. "O PT não falou de reformas estruturantes. Queremos apresentar essa agenda que vai abordar temas como esse, de uma generosidade maior da União para com os municípios e Estados, uma política externa mais pragmática em favor dos interesses do Brasil, e não um alinhamento ideológico que nos deixou fora das cadeias globais de produção.", disse.

De acordo com Aécio, é "preciso passos além das políticas sociais, vamos sair dessa pouco ousada proposta do governo do PT de administrar diariamente a pobreza." "Queremos propostas que permitam a superação da pobreza, reintrodução de empregos de qualidade. O Brasil merece ser muito mais que o País de pleno emprego de dois salários mínimos", ressaltou. Aécio Neves, contudo, destacou que não é favorável à independência formal do Banco Central. "Deve ser exercida de fato, não acho necessária na lei. Mas pode ter autonomia, que em parte vem tendo, mas deve ser mais enfática, sem necessidade de mudanças na lei." O senador fez os comentários em entrevista à imprensa, antes de participar do evento promovido pela revista Carta Capital, As empresas mais admiradas do Brasil - 2013.

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