Rafael Carvalho/ Divulgação Governo de Transição
Rafael Carvalho/ Divulgação Governo de Transição

Viagem selou aproximação de ministro da Educação com Bolsonaro

Missão de parlamentares ao Japão, Coreia do Sul e Taiwan reforçou a relação entre ambos

Renato Onofre, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2019 | 16h55

BRASÍLIA - O novo ministro da Educação, Abraham Bragança de Weintraub, se aproximou do presidente Jair Bolsonaro numa viagem à Ásia em 2018. Ele foi um dos técnicos convidados pelo então deputado federal e, hoje, ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, para acompanhar a delegação de parlamentares em missão oficial ao Japão, Coreia do Sul e Taiwan. O tour foi planejado por Onyx para sinalizar o modelo de ensino que seria adotado pela campanha do PSL à Presidência.

Entre os dias 22 de fevereiro e 3 de março do ano passado, Bolsonaro participou de audiências com autoridades e encontros com jornalistas e brasileiros radicados nos países asiáticos. O passo a passo do périplo foi divulgado pelo presidenciável nas suas redes sociais. Também integraram a comitiva os três filhos políticos de Bolsonaro – Flavio, Eduardo e Carlos –, o deputado federal Luiz Nishimori (PR-PR) e Artur Weintraub, irmão do ministro, que hoje assessora o presidente.

A viagem foi relatada em dois telegramas enviados ao Itamarati por representantes de consulados brasileiros na Coréia e em Twain. Um dos documentos obtidos pelo Estado por meio da Lei de Acesso à informação (LAI) mostram que, numa coletiva de imprensa no Japão, Abraham Weintraub saiu em defesa de Bolsonaro durante um questionamento sobre a capacidade do presidenciável de conseguir frear a crise: “A primeira coisa é colocar a bola no chão, confiança, e aí vai ter investimento”, afirmou. “A gente está neste fundo (do poço), neste chiqueiro, porque a gente é campeão de eleger gente ruim”.

Após a coletiva, a delegação seguiu para o Ministério da Educação japonês, onde Bolsonaro foi recebido em audiência pelo ministro e teve uma reunião com o secretário executivo da pasta. “O mais importante não é se é homem, se é mulher, cor de pele, gênero. Nós queremos uma pessoa com autoridade que, realmente, consiga fazer com que no PISA, em dez anos, a gente consiga subir dez posições”, disse Bolsonaro na saída do prédio.

Já na península coreana, a delegação visitou a zona desmilitarizada entre as Coreias do Sul e do Norte, se reuniu com representantes de órgãos de educação local. Nas redes, disse o que pensava para área: “Coreia do Sul lidera mundialmente o investimento em pesquisas e desenvolvimento de projetos (startups), enquanto que os mesmos setores no Brasil vão em simpósios de como fazer sexo anal sem sentir dor. Se depender de mim, a prioridade e seriedade terão outro direcionamento em breve.”, disse e postagem do dia 28 de fevereiro de 2018, quando estava na Coreia do Sul.

O último destino da viagem foi Taiwan, cidade-estado autônoma da China. Weintraub esteve com ele em todas as principais agendas de acordo com telegramas obtidos pelo Estado. Participou de uma das principais discussões que virou um dos pontos do programa de governo: investimento na educação básica e fundamental.  

Em telegrama encaminhado ao Brasil no dia 5 de março, o diretor do escritório brasileiro local, Fábio Guimarães Franco, relatou os encontros de Bolsonaro com “diretores e representantes de alto escalão dos principais departamentos/órgãos” locais. Ele conta ainda que a delegação visitou o "Smart Campus" da Escola Primária Nan-hu. A instituição é vista como modelo no País e baseia sua educação na tecnologia.

Ainda lá, eles estiveram na Universidade Nacional de Ciência e Tecnologia de Taiwan. De acordo com as informações enviadas ao Brasil, Bolsonaro estava preocupado em saber como se formava um professor universitário no país.

Poucos dias após a viagem, o novo ministro da Educação já estava do lado de Bolsonaro na porta do gabinete do filho Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) no Congresso. O presidente acabara de receber a visita do astronauta Marcos Pontes, hoje ministro da Ciências e Tecnologia.

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