Via Campesina realiza protestos e invasões em 13 Estados

Ação faz parte da Jornada de Lutas e acontece em PE, PB, SP, RS, MG, BA, CE, ES, SC, AL, PR, TO E RO

10 de junho de 2008 | 12h11

Integrantes de movimentos sociais liderados pela Via Campesina  do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) realizaram uma série de protestos em 13 Estados brasileiros nesta terça-feira, 10. Manifestantes invadiram prédios, bloquearam estradas e uma ferrovia em Minas Gerais. Segundo informações do movimento, as ações aconteceram no Rio Grande do Sul, Bahia, São Paulo, Pernambuco, Paraíba, Ceará, Espírito Santo, Santa Catarina, Alagoas, Paraná, Tocantins e Rondônia. As manifestações fazem parte da Jornada de Luta da Via Campesina, programada para acabar na próxima sexta-feira.      Veja também:Enquete: o protesto dos sem-terra é legítimo?  Após cinco horas, Via Campesina desbloqueia ferrovia em MinasVia Campesina invade prédio da Votorantim no centro de SP Via Campesina invade Bunge e bloqueia estrada no RS Após invasão, usina da Chesf opera normalmente na BA  Sudeste Em Minas, após um protesto de cinco horas, os manifestantes da Via Campesina e da Assembléia Popular desbloquearam nesta terça-feira, 10, a linha férrea da mineradora Vale do Rio Doce, na altura do bairro São Geraldo, em Belo Horizonte. De acordo com os organizadores, cerca de 500 pessoas permaneceram em pé nos trilhos de 7 horas às 12 horas. Os manifestantes exigiram a transposição imediata da linha e a indenização das famílias das pessoas que morreram na ferrovia.  A Vale informou que a interrupção da ferrovia provocou o cancelamento do transporte do trem de passageiros da Estrada de Ferro Vitória a Minas e a parada de treze trens de carga. Em São Paulo, cerca de 500 trabalhadores rurais do movimento Via Campesina invadiram o prédio do Grupo Votorantim, no centro, para denunciar os impactos ambientais da construção da barragem de Tijuco Alto, no Rio Ribeira de Iguape, que corta os estados de São Paulo e Paraná. Eles foram retirados do prédio, após 40 minutos de ocupação, pela Policia Militar que entrou no prédio, retirando os membros da Via Campesina, com bombas de gás e tiros de bala de borracha. No Pontal do Paranapanema, no interior de São Paulo, cerca de 500 integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) invadiram às 6h20 as obras de construção de uma usina de açúcar e álcool do grupo Odebrecht em Mirante do Paranapanema, oeste do Estado. Os manifestantes obrigaram os trabalhadores da empresa a pararem as máquinas e se retirarem do local. Os sem-terra, procedentes de acampamentos da região, reforçados por militantes das regiões de Iaras e Itapeva, montaram barracos no terreno. Eles pretendiam permanecer no local por tempo indeterminado.  A direção da Odebrecht no Pontal estava reunida no final desta tarde em Teodoro Sampaio para discutir a invasão. De acordo com funcionários, a empresa entraria ainda ontem com pedido de reintegração de posse no Fórum de Mirante do Paranapanema. No Espírito Santo, cerca de 500 trabalhadores da Via Campesina realizaram protesto contra a expansão da cultura da cana-de-açúcar no estado do Espírito Santo. A manifestação, que durou cerca de uma hora, segundo os organizadores do movimento, ocorreu no município de Montanha, local escolhido pela empresa Infinity Bio-Energy para instalar sua sede no estado. A companhia, criada em 2006 e com sede na Ilha das Bermudas, já investiu perto de R$ 1 bilhão na aquisição de oito usinas e planeja construir mais cinco unidades no Norte do Espírito Santo.  Nordeste Depois de cerca de oito horas de ocupação, os cerca de 700 integrantes de movimentos sociais, organizados pela Via Campesina, deixaram, no início da tarde desta terça a área de controle da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), em Sobradinho (BA), 556 quilômetros a noroeste de Salvador. O protesto, contra os projetos de transposição do Rio São Francisco e de construção de novas barragens em seu leito, começou às 5h30. Em Pernambuco, cerca de 100 pessoas ligadas à Via Campesina invadiram a Estação Experimental de Cana-de-Açúcar de Carpina, na zona da mata norte, a cerca de 60 quilômetros do Recife. A estação, que faz pesquisas, é ligada à Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Eles renderam o vigilante, sem uso de armas, e em meia hora, destruíram mudas de cana-de-açúcar - fruto de melhoramento genético que se encontravam em estufas - experimentos associados a programas de doutorados e mestrados e parte do cultivo de campo. Meia hora depois saíram, deixando duas bandeiras da Via Campesina fincadas no local. Em Alagoas, cerca de mil trabalhadores rurais, ligados a diversas organizações populares - Via Campesina, Comissão Pastoral da Terra (CPT) e comunidades tradicionais (indígenas, quilombolas e pescadores artesanais) - realizaram um protesto na Hidrelétrica de Xingó, no município de Piranhas, a 280 quilômetros de Maceió. Os manifestantes protestavam contra a transposição do São Francisco, a construção das novas barragens e a baixa vazão do rio, que causam fortes impactos na foz do rio, na divisa dos Estados de Alagoas e Sergipe.  No Ceará, armados com paus, cerca de mil agricultores ligados à Via Campesina ocuparam o Porto do Pecém, em São Gonçalo do Amarante, região metropolitana de Fortaleza. A ação contou com o apoio do Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais sem-terra (MST) e do Movimento dos Atingidos por Barragens. À tarde, após os manifestantes exporem suas reivindicações aos representantes governamentais, os policiais deixaram o local. Sul No Rio Grande do Sul, Manifestantes ligados à Via Campesina invadiram o pátio da empresa Bunge, em Passo Fundo, e bloquearam a estrada que dá acesso à Usina Hidrelétrica de Itá, em Aratiba, no norte do Rio Grande do Sul. As duas ações de hoje protestam contra o agronegócio, a construção de barragens e as plantações de eucaliptos para a indústria da celulose. Em Santa Catarina, a Via Campesina liberou a BR 282 no trevo de acesso a Maravilha, no oeste catarinense, após quase duas horas de protesto contra o modelo agrícola que favorece empresas transnacionais e a monocultura, segundo a entidade. A rodovia tinha sido bloqueada às 10h15 por cerca de 750 integrantes de grupos ligados à Via Campesina e foi liberada às 11h45.  Depois do ato na estrada, os manifestantes concentraram o protesto em frente ao frigorífico da Coopercentral Aurora de Maravilha, que fica nas proximidades do trevo. O acesso à unidade ficou interditado entre 13h30 e 14h30, conforme Celestino Dersch, da coordenação da Via Campesina. A Aurora informou que a obstrução da rodovia e da entrada da unidade prejudicou o abate de 30 mil aves. Ainda em Santa Catarina, houve manifestação em frente à Klabin de Otacílio Costa.  No Paraná, um grupo de integrantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e da Via Campesina acampou às margens da BR-158, em frente à Hidrelétrica Salto Santiago, no município de Saudade do Iguaçu, no sudoeste do Paraná, a cerca de 410 quilômetros de Curitiba. Segundo os manifestantes, havia cerca de 300 pessoas no local, enquanto a Polícia Militar calculou entre 60 e 80. A polícia disse que a situação estava tranqüila.  Repúdio  O Grupo Votorantim  emitiu uma nota em que manifesta o seu repúdio à invasão do escritório central da empresa, na Praça Ramos, em São Paulo, ocorrida na manhã desta terça-feira. Diz a nota do Votorantim que "em seus 90 anos, o Grupo Votorantim tem sua trajetória marcada pelo respeito a toda e qualquer manifestação democrática. O Grupo sempre esteve aberto ao diálogo com todos os setores da sociedade, no entanto, considera inaceitável práticas que violem as leis vigentes do País". E conclui que "o Grupo Votorantim emprega mais de 60 mil colaboradores, está presente em todo o território nacional e reitera seu compromisso com o estado democrático de direito e com o desenvolvimento sustentável, respeitando o meio ambiente e as comunidades onde atua". Texto atualizado às 18h30 (Com Milton F. da Rocha Filho, Sandra Hahn e Kelly Lima, da AE, e Leonardo Goy, Angela Lacerda, Evandro Fadel, Ricardo Rodrigues, Tiágo Décimo e José Maria Tomazela, de O Estado de S.Paulo)

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