Via Campesina diz que não vai invadir fazenda

O coordenador da Via Campesina Diego Moreira garantiu nesta terça-feira que o movimento não tem intenções de invadir a Fazenda Santa Rita, em Santo Antônio da Platina, a cerca de 350 quilômetros de Curitiba, no norte do Paraná, que pertence ao deputado federal Abelardo Lupion (PFL-PR).Cerca de 300 integrantes da entidade estão acampados desde segunda às margens da BR-153, a quatro quilômetros da entrada da propriedade. "Estamos em uma atividade pacífica, trazendo as denúncias contra o deputado e o pedido de cassação", afirmou.O movimento alega que a fazenda foi um "presente" da multinacional Monsanto "em troca de apoio no Congresso Nacional para aprovação de emenda à medida provisória que autoriza o uso do glifosato como herbicida pós-emergente na cultura da soja geneticamente modificada, para a safra 2004/2005". Segundo a Via Campesina, a aprovação aconteceu cinco meses após a compra da fazenda pelo deputado.A Via Campesina assegurou que há duas representações contra Lupion na Câmara dos Deputados. Uma em razão do suposto benefício à Monsanto com sua emenda e outra em que seria acusado de improbidade administrativa, por ter se beneficiado na compra da fazenda após defender os interesses da multinacional. A fazenda tem 150 alqueires e, segundo o movimento, foi comprada por R$ 690 mil - "menos de um terço do valor do imóvel". Além disso, a Via Campesina, em nota, garantiu que há processo no Supremo Tribunal Federal (STF) apurando irregularidades na prestação de contas da campanha de 1998.O deputado, que conseguiu nesta terça interdito proibitório - proibição judicial de invasão da propriedade -, voltou a negar as denúncias. Ele disse que está com as certidões negativas tanto da Câmara quanto do STF, que comprovam não haver qualquer investigação a respeito dele. Lupion afirmou também ter recebido a solidariedade de várias entidades rurais e prefeitos da região. Ele está com a mulher e o filho na sede da propriedade. "Moro na fazenda, por isso é chocante, constrangedor", ressaltou.Ele voltou a negar irregularidade na compra da fazenda, que era da Sementes Agroceres, posteriormente incorporada pela Monsanto. Ele pagou R$ 770 mil, em tomada pública de preço. No local cria 900 cabeças de gado nelore, muitos com prêmios. Presidente da Comissão da Agricultura da Câmara e coordenador da bancada ruralista, Lupion acredita que o movimento quer segurá-lo dentro de casa para não poder fazer a campanha por sua reeleição e pelo candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin.A Monsanto emitiu uma nota dizendo que o compromisso de compra e venda foi firmado em 1999 e o débito pago em três parcelas, a última em 24 de maio de 2005, quando foi dada a escritura definitiva. "Essa escritura foi lavrada nesta data em face da outorgante vendedora (agora Monsanto, sucedendo a Agroceres) não dispor, antes, de todos os documentos necessários", disse a nota. Sobre a emenda do deputado, a Monsanto afirmou que Lupion participou juntamente com outros deputados. "Entretanto, a referida emenda não foi adotada pelo relator da MP", ressaltou.

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