Via Campesina acampa perto de fazenda de deputado

Cerca de 300 integrantes da Via Campesina estão acampados desde a manhã desta segunda-feira, 18,em frente à Fazenda Santa Rita, em Santo Antônio da Platina, a cerca de 350 quilômetros de Curitiba, no norte do Paraná. A propriedade pertence ao deputado Abelardo Lupion (PFL-PR), que cria gado nelore.Segundo o movimento, o objetivo é "denunciar a corrupção do agronegócio, do qual o parlamentar-ruralista é um dos principais articuladores". Eles pedem a cassação do mandato do deputado. Segundo a Via Campesina, a fazenda seria um presente da Monsanto para o deputado "em troca de apoio no Congresso Nacional para aprovação de emenda à medida provisória que autoriza o uso do glifosato como herbicida pós-emergente na cultura da soja geneticamente modificada, para a safra 2004/2005". O movimento disse que a aprovação aconteceu cinco meses após a compra da fazenda pelo deputado."Há um tempo a imprensa colocou em pauta o presente que a Monsanto deu ao deputado", frisou o coordenador da Via Campesina Diego Moreira. "Ela é fruto desse esquema dos parlamentares." Utilizando denúncias do jornal Correio Braziliense, de maio, o movimento afirmou que Lupion comprou a fazenda de 145 alqueires por R$ 690 mil - menos de um terço do valor. "Acredito que a nossa ação é a ação do povo brasileiro", afirmou Moreira.A Via Campesina acusou-o ainda de utilizar caixa dois em campanha eleitoral e da influência política para liberação de recursos. "Queremos que a Justiça e o Ministério Público tomem providências e nada mais justo do que a cassação", disse Moreira. Segundo ele, o movimento não tem data para ser encerrado. Acampados às margens da BR-153, eles pretendem realizar debates e discussões sobre a agroecologia e a reforma agrária. "Nossa manifestação é pacífica", garantiu o coordenador. O deputado entrou com interdito proibitório e classificou o ato como "político". "Inventaram baboseiras para protesto e foram fazer violência a mando do Lula, do PT e seus asseclas", acusou. Segundo ele, não há nenhuma denúncia aceita pelo Supremo Tribunal Federal contra ele, assim como todas as representações na Câmara foram rechaçadas no início. Lupion afirmou que o movimento ficou irritado porque, no relatório da CPI da Terra, ele pediu indiciamento dos líderes por apropriação indébita e prevaricação, além de propor que invasão com seqüestro seja considerado crime hediondo.Lupion disse que comprou a fazenda em 1999 da Agroceres, em tomada de preço público. Mais tarde, a Agroceres foi incorporada à Monsanto. "Paguei em dia e não tem dinheiro público", afirmou. Segundo ele, o movimento desconhece que o glifosato já é de domínio público há 10 anos e, além disso, sua emenda não foi acatada. Em Londrina, o Movimento dos Sem-Terra (MST) continua ocupando a Fazenda 3 Jota, de propriedade da família do deputado federal licenciado José Janene (PP-PR). Ela foi invadida sexta-feira, sob pretexto de "denunciar a corrupção de políticos que usam o dinheiro público para acumular patrimônio".A Justiça já concedeu reintegração de posse. No sábado, os sem-terra disseram ter encontrado simuladores de urnas eletrônicas na fazenda. O Ministério Público Eleitoral pediu que sejam encaminhados para a Polícia Federal fazer perícia.

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