ED FERREIRA/ESTADÃO
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Veto a reajuste no IR não irá a votação nesta terça, diz Cunha

Presidente da Câmara explicou que análise de medida ainda não está trancando a pauta da Casa e que assunto deve ser debatido na próxima semana

Daniel Carvalho e Daiene Cardoso, O Estado de S. Paulo

23 Fevereiro 2015 | 16h39

Brasília - O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), informou nesta tarde que o veto presidencial ao reajuste de 6,5% da tabela do Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) não entrará na pauta da sessão do Congresso Nacional, marcada para esta terça-feira, 24. Segundo Cunha, ainda não venceu o prazo regimental de 30 dias para que o veto seja apreciado. "Ainda não está trancando a pauta", justificou.

A medida ocorre em meio aos esforços do governo federal de reaproximar da base aliada, sobretudo do PMDB, depois de um mês marcado por várias derrotas do governo na Câmara, começando pela própria eleição de Cunha, um desafeto do Planalto, à presidência da Casa e passando pelas aprovações do Orçamento Impositivo, que obriga o governo a destinar verbas para emendas individuais de parlamentares, e a criação de uma comissão para discutir a reforma política liderada pela oposição com propostas diferentes das defendidas pelo PT.


O peemedebista explicou que conversou com o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), e que o assunto provavelmente entrará na pauta de votação da próxima semana. Ele lembrou que só após a votação do veto sobre a correção da tabela do IR será possível votar o Orçamento de 2015. Ele negou que o governo tenha pedido para retirar o assunto de pauta. "Não foi nenhuma articulação nem contra e nem a favor", insistiu. 

Cunha teve um almoço nesta segunda com o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, mas disse que não ouviu nenhum pedido específico do governo para a Câmara. O presidente da Casa revelou que a conversa girou em torno de temas como ajuste fiscal e as comissões que pretende criar para discutir o pacto federativo e a lei de licitações. 

Sobre as Medidas Provisórias que tratam do ajuste fiscal, Cunha lembrou que as comissões que debaterão preliminarmente as medidas ainda não foram criadas e que caberá ao governo articular com a base para evitar que as emendas descaracterizem a proposta do Executivo.

O presidente anunciou também que deve trazer os ministros à Câmara só a partir da quinta-feira da próxima semana. Embora, de acordo com Cunha, os ministros estejam se colocando à disposição para comparecer, ele preferiu começar a rodada de visitas com o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, que é de seu partido. "Ao contrário do que vocês achavam, eles estão achando ótimo", declarou.

Venezuela. Cunha voltou a condenar a prisão do prefeito de Caracas, Antonio Ledezma. Para o deputado, que já havia comentado o assunto em sua conta no Twitter, a situação no país vizinho é "absurda" e "estranha". "Ficar prendendo oposicionista ninguém pode aplaudir. Não me parece que ele tenha praticado nenhum crime que permitisse essa prisão, parece mais forçação de barra", comentou.

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