Veterano diz que rivalidade entre grupos adiou soltura

Veterano da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), o vereador Alfredo Sirkis (PV) atribui a exclusão de Dilma Rousseff das listas de troca de presos por diplomatas sequestrados à "raiva" que a organização tinha da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), grupo a que pertenceu a ministra-chefe da Casa Civil.A rivalidade nasceu no fim de 1969, quando, em congresso na região serrana do Rio, uma ala marcadamente militarista, inconformada com a possibilidade de a VAR se tornar uma estrutura que fizesse trabalho político de massas paralelo a iniciativas armadas, deixou-a para recriar a VPR, voltada unicamente para o combate.Isso alimentou a rivalidade e, quando houve os ataques contra embaixadores alemão e suíço, a VPR e a Ação Libertadora Nacional (ALN) ficaram com "a parte do leão" das listagens. "A VAR era considerada um agrupamento que não fazia ações armadas", recorda Sirkis, que participou dos sequestros dos embaixadores Enfried Von Holleben (Alemanha Ocidental) e Giovanni Enrico Bucher (Suíça). Ele foi anistiado em 1979. Segundo Sirkis, a organização de Dilma só tomou iniciativas "militares" tardiamente, a partir de 1971, quando sua primeira direção, integrada pela hoje ministra, por Antonio Espinosa e outros, já estava na cadeia e não a controlava mais.No início de 1969, a VPR se fundiu ao Colina (Comando de Libertação Nacional), grupo com base em Minas e integrado, disse Sirkis, por militantes mais experientes. A nova organização, Vanguarda Armada Revolucionária Palmares, só fez, unificada, uma ação de vulto: o roubo do cofre de Adhemar de Barros, em Santa Tereza, no Rio. No fim do ano, no congresso de unificação, houve o racha, a partir de um documento - "A Vanguarda Armada e as Massas na Primeira Fase da Revolução". O texto sugeria que, naquela etapa, só caberia fazer ações armadas.A maioria da VAR defendia que fosse feito também trabalho político. "A posição da VAR era mais política", diz Sirkis. "Era um pessoal que tinha um sentido de realidade algumas oitavas maior." A VPR, diz, "era delírio puro".Sirkis diz que o processo de discussão no congresso, muito duro, deixou mágoas, embora houvesse, na VPR, militantes que conheciam Dilma e se preocupavam com o seu destino na prisão. Um deles era Herbert Daniel (Herber Eustáquio de Carvalho), também mineiro, que se mostrava abalado com as notícias sobre tortura contra a hoje ministra. "Ainda assim, não foi incluída nas listas", conta o vereador. Daniel já morreu.Sirkis considera que o documento da VPR provavelmente é verdadeiro. "A ação contra o alemão tinha caído antes, em abril de 1970", conta. "Caíram 2/3 da organização, quase todo o comando nacional", diz. Ele avalia que provavelmente documentos e militantes presos forneceram informações sobre o sequestro. Um dos sintomas de que o governo sabia da ação foi o reforço na segurança de Von Holleben. "Sabia (da ação) pelas pessoas que caíram", lembra. "O aparelho onde ia ser guardado o embaixador também caiu."A VPR, porém, organizou o que restava de seus quadros no Rio, conseguiu apoio da ALN e organizou o sequestro. "Não esperavam", acredita Sirkis, referindo-se aos governantes da época.

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