Vestibular da UFRJ deve ficar para depois do carnaval

Os 56.037 inscritos no vestibular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) só deverão fazer as provas depois do carnaval de 2002. Segundo a comissão que organiza o concurso, não há como realizar os exames antes de fevereiro, já que a greve dos professores, que está deixando sem aulas os alunos da rede federal há 79 dias (desde 22 de agosto), ainda não terminou.O coordenador executivo da comissão de vestibular, César Scelza, disse que as datas propostas pelo Conselho de Ensino de Graduação (Ceg) - 22 e 27 de janeiro e 3 de fevereiro - já estão descartadas. A terça-feira de carnaval cairá no dia 12 de fevereiro. Segundo Scelza, são necessários pelo menos 66 dias de aula para que os alunos das escolas federais tenham o mesmo conteúdo que os alunos da rede particular. Por isso, a primeira prova do vestibular deve acontecer 66 dias depois do fim da greve de professores.Além do impasse quanto ao fim da paralisação, a realização de provas de outros concursos já marcados, como da Polícia Militar e da Academia da Força Aérea e os vestibulares de universidades federais do Rio e de outros Estados, também dificultam o agendamento dos exames. "Há uma carência grande de locais de aplicação de prova. Além disso, não podemos marcar os exames em dias coincidentes com outros concursos, para não prejudicar ninguém", disse o coordenador acadêmico da comissão, Herli Menezes.O aditamento do edital do concurso, que comunica a anulação das provas realizadas no dia 28 de outubro e o adiamento das duas seguintes, marcadas para os dias 11 e 18 de novembro, já foi assinado pelo reitor José Henrique Vilhena e deverá ser publicado amanhã no Diário Oficial. O documento deixa o calendário em aberto. Espírito Santo - O vestibular da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), que está em greve há 46 dias, também deverá ser adiado. O reitor José Weber Macedo já encaminhou pedido de adiamento ao Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da universidade sugerindo a realização dos exames a partir de janeiro ou após o fim da paralisação.A decisão será tomada em reunião na próxima segunda-feira. A primeira fase está marcada para os dias 25 e 26 deste mês. O reitor teme que protestos de grevistas ameacem a segurança dos 30,7 mil candidatos nos 57 locais de prova, a exemplo do que aconteceu no campus da UFRJ, onde conflitos de manifestantes com a Polícia Militar deixaram nove feridos. Convênio - O Conselho Universitário da UFRJ (Consuni) se reuniu hoje informalmente para discutir a assinatura de um convênio que prevê investimentos em projetos de infra-estrutura para a universidade. A pauta era a contratação de recursos no valor de R$ 12,6 milhões.A ausência do reitor, que preside o Consuni, impediu que houvesse deliberações sobre a questão. "O reitor não convoca o Consuni há muito tempo e isso só traz problemas. Ele precisa assinar o convênio, pois o prazo acaba este mês. Podemos perder o dinheiro por sua causa", afirmou o conselheiro Carlos Lessa, decano do Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas (CCJE).Segundo fontes da universidade, Vilhena se nega a discutir o caso porque não aceita que a Fundação Universitária José Bonifácio (Fujb), que faz a gerência de recursos destinados à UFRJ, receba o investimento. Ele quer que a reitoria gerencie o dinheiro. O reitor teria lançado suspeita sobre a Fujb, mas o Tribunal de Contas do Estado constatou que não há irregularidades no repasse das verbas. "Não há nada que desabone a Fujb. É uma instituição modelar", disse Carlos Lessa.

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