Vestibular 2002 continua ameaçado

Apesar de o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, ter dito ontem que exige que o "vestibular seja realizado para o primeiro semestre de 2002", o exame continua ameaçado e as novas datas podem não ser marcadas enquanto uma solução para a greve, que se arrasta por mais de 60 dias, não for encontrada. "Como podemos marcar uma nova data, se o problema que levou à anulação (o fato de os alunos das escolas federais estarem sem aulas por causa da greve) continua existindo", afirma o coordenador do vestibular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Cesar Scelza. O grande desafio do ministro, agora, é conseguir os R$ 250 milhões que faltam no Orçamento de 2002 para que seja possível reajustar os salários e convencer os grevistas a retomarem as aulas nas universidades e nos colégios federais. "Enquanto esse dinheiro não aparecer, a crise continua", completa Scelza. O Conselho de Ensino de Graduação da UFRJ já tem datas pré-definidas (20/27 janeiro e 3 de fevereiro) para o vestibular mas, segundo a conselheira Ângela Gonçalves, nada é definitivo. "Estipulamos esses dias porque não fazia sentido anular o exame sem apresentar novas datas. Mas sabemos que só é possível marcar um teste quando houver acordo entre as partes." O procurador da UFRJ, Alexandre Cintra, que representou o reitor na tentativa de manter o vestibular na data inicial, admite que um próximo teste só poderá ser marcado após "acordo entre todos os lados envolvidos". Segundo ele, a questão da segurança dos candidatos deve ser levada em consideração. "Depois de tudo que aconteceu, ficou claro que devemos ter uma preocupação com a segurança das pessoas antes de definir uma data." Na próxima segunda-feira, os conselheiros do CEG se reúnem para discutir o problema e tentarão marcar um encontro, ainda na semana que vem, entre os representantes das universidades federais do Rio. Na terça, os grevistas da UFRJ também discutem o impasse sobre o vestibular durante uma assembléia. Segundo o professor José Henrique Sanglard, da Associação dos Docentes da UFRJ, a greve vai continuar até que o governo apresente uma proposta aceitável. "E, para mostrar que continuamos protestando, na quarta-feira vamos ´enterrar´ o reitor José Henrique Vilhena e o ministro Paulo Renato Souza."

Agencia Estado,

02 de novembro de 2001 | 16h08

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