Verticalização trará problemas para Lula, diz líder do PFL

O líder do PFL no Senado, José Agripino (RN), afirmou nesta sexta-feira que a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de manter a verticalização - regra que obriga os partidos políticos a reproduzirem nos Estados as coligações feitas para a campanha presidencial - é um complicador para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que terá dificuldades para ampliar sua aliança eleitoral. Por outro lado, a medida não impedirá a coligação do PFL com o PSDB. "Isso complica muito a vida do presidente Lula", prevê Agripino. Ao mesmo tempo em que significa uma derrota de Lula, que defendeu publicamente o fim da verticalização, a decisão do TSE agradou ao prefeito de São Paulo, José Serra, que insistia em manter em outubro de 2006 a regra de 2002. Para o senador José Agripino, o presidenciável do PSDB deve estar comemorando a decisão do TSE, pois ela " facilita sua vida", além de "não dificultar em nada" a reprodução da aliança entre PSDB e PFL.O senador avalia que a tese da candidatura própria do PMDB ficará enfraquecida, por causa das pressões dos diretórios e candidatos nos Estados, que não querem ficar "engessados" por ela. Se o TSE tivesse mantido a decisão do Congresso, que derrubou a verticalização para as eleições deste ano, o presidente Lula teria mais chances de fechar apoios no PMDB, independentemente do lançamento da candidatura própria, pois o partido estaria livre nos Estados para montar seus palanques de acordo com seus interesses e conveniência. O líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), elogiou a decisão do TSE. "A não verticalização prostitui a vida partidária. O Congresso não fez nenhuma reforma política e queria agora fazer uma contra-reforma. As coligações devem ter fundamento ideológico, pensando no Brasil, e não no município. Acho que foi uma atitude justa, jurídica e dificilmente não seria acompanhada pelo Supremo", afirmou o líder tucano. Virgílio preferiu não se aprofundar sobre os efeitos da medida do TSE no quadro eleitoral. "Em relação à aliança entre o PSDB e PFL, Virgílio disse que será mantida independentemente da decisão do TSE. "A nossa aliança com o PFL tem razão de ser com sol ou chuva", afirmou.Afronta ao SenadoO relator de projeto de lei que propõe a redução do custo das campanhas eleitorais, deputado Moreira Franco (PMDB-RJ), disse que a decisão afrontou o Senado, que há mais de um ano aprovou a emenda que acaba com a verticalização. Ele argumenta que o tribunal tomou uma decisão preventiva, antes que a emenda pondo fim à verticalização, cuja votação foi concluída em janeiro deste ano, fosse promulgada.Segundo o deputado, se a emenda tivesse sido promulgada, o argumento da anualidade - princípio constitucional pelo qual as regras eleitorais têm que ser mudadas pelo menos um ano antes das eleições para ter validade - poderia ser levantado. "Mas preventivamente, ele (o TSE) inibiu o poder do Congresso. Creio que é uma questão mais política do que jurídica, mais institucional do que legal", afirmou. "Se houvesse um pouco mais de busca de equilíbrio entre os Poderes, certamente esta decisão não seria tomada", observou Moreira Franco.O deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP) gostou da decisão desta sexta-feira do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de manter a verticalização das coligações partidárias nas eleições de outubro. Ele se disse favorável a essa obrigatoriedade, argumentando que ela fortalece a democracia. Segundo Cardozo, a questão principal dessa discussão é o sistema político, e não o fato de o fim da verticalização favorecer determinados partidos políticos.A manutenção da verticalização dificultará, por exemplo, o apoio do PMDB ao PT. "Temos de sair do casuísmo e ver o que é bom para a democracia", afirmou Cardozo.

Agencia Estado,

03 de março de 2006 | 19h03

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.