Vereadores são acusados de extorsão em BH

A Justiça mineira acatou pedido do Ministério Público Estadual (MPE) e determinou hoje o afastamento dos vereadores Hugo Thomé (PMN) e Carlúcio Gonçalves (PR) da Câmara Municipal de Belo Horizonte. Eles são acusados junto com outros três parlamentares e cinco ex-vereadores de extorquirem um empresário para aprovar a construção de um shopping na região leste da capital.

MARCELO PORTELA, Agência Estado

23 de novembro de 2011 | 21h10

O juiz Alyrio Ramos, da 3ª Vara da Fazenda Municipal do Fórum Lafayette, em Belo Horizonte, determinou também que o ex-vereador Sérgio Silva Balbino, conhecido como Balbino das Ambulâncias (PRP), seja impedido de assumir uma vaga na Câmara na condição de suplente em caso de vaga no Legislativo municipal. Na mesma liminar, o magistrado ainda decretou a indisponibilidade de bens e a quebra do sigilo fiscal dos dois vereadores afastados e do ex-parlamentar.

Além dos três, o promotor Eduardo Nepomuceno denunciou também os vereadores Alberto Rodrigues (PV), Maria Lúcia Scarpelli (PCdoB) e Geraldo Félix (PMDB) e os ex-vereadores Vinícius Dantas (PT), Valdivino Pereira de Aquino (PTC), Valdir Antero Vieira, conhecido como Índio (PTN) e Reinaldo Lima (PV), conhecido por sua atuação como jogador do Atlético-MG e da seleção brasileira.

Todos são acusados de exigirem R$ 2 milhões para não barrarem, em 2008, a tramitação do projeto que autorizou a construção do Boulevard Shopping, já em funcionamento. Segundo a denúncia do MP, o valor da extorsão foi posteriormente reduzido para R$ 320 mil, divididos em duas "parcelas", sendo que Hugo Thomé, Balbino e Gonçalves teriam ficado com R$ 30 mil e os demais, com R$ 10 mil cada da primeira parte do pagamento.

No processo, Balbino assumiu que ele e os demais acusados receberam o dinheiro do empresário Nelson Rigotto de Gouveia - que também confirmou o pagamento - para aprovarem o projeto. Já Reinaldo Lima, em seu depoimento, negou que tenha recebido a propina, mas afirmou que Hugo Thomé e Carlúcio Gonçalves ofereceram o dinheiro a ele e a outros vereadores para que a construção do shopping fosse aprovada. A reportagem tentou falar com os vereadores no início da noite de hoje, mas ninguém atendeu nos gabinetes dos parlamentares. A Câmara municipal ainda não foi notificada da decisão, da qual os acusados ainda pode recorrer.

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