Vereadores registram negociata em cartório e são presos

A Polícia Federal prendeu ontem 19 suspeitos de envolvimento em um esquema de fraudes em licitações de obras públicas e contratação de assessores fantasmas no município de Ibaretama, no Ceará. Entre os presos estão dois vereadores e o secretário de Obras da cidade. A operação, denominada "Inselberg", contou com a participação do Tribunal de Contas dos Municípios e o Ministério Público Estadual (MPE).

PRISCILA TRINDADE, Agência Estado

01 de junho de 2011 | 12h49

Segundo o MPE, as denúncias sobre o esquema de fraudes partiram do ex-presidente da Câmara Municipal de Ibaretama, João Vieira Picanço. Ele havia feito um acordo, registrado em cartório, com os vereadores Francisco Oliveira Filho, Daniel Souza Lopes, Francisco Carliado de Almeida e José Maria Cunha. O grupo acertou que, em troca do apoio para se eleger presidente do Legislativo municipal, Picanço teria de pagar R$ 4,5 mil por mês para cada um deles, e cada vereador teria direito a um assessor "fantasma" que receberia um salário de R$ 900,00.

Picanço rompeu o acordo porque alegou não ter mais condições de pagar os R$ 4,5 mil para os colegas. Para o promotor Luiz Alcântara, o fato dos vereadores terem registrado o acerto em cartório é uma "manifestação patente da crença na impunidade", uma vez que eles deram publicidade aos atos ilícitos praticados.

A operação também cumpriu 24 mandados de busca e apreensão. Os presos são acusados de formação de quadrilha, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, licitações fraudulentas com desvio de dinheiro público, peculato e empréstimos consignáveis com comprometimento de até 90% dos vencimentos de alguns servidores. O esquema tem ramificações nos municípios de Fortaleza, Reriutaba e Quixadá. Ainda não há informação sobre o valor desviado.

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