Vereadores fazem lobby contra limite de gastos

Reunidos em Brasília desde a noite de terça-feira, vereadores de quase cem municípios de 13 Estados mostraram disposição para deixar senadores e deputados em paz até que seja resolvido o impasse da emenda constitucional 333, que cria mais 7.343 vagas nas câmaras municipais e fixa novas regras para o repasse de receita aos legislativos. O risco de redução no orçamento foi o que motivou mais discursos, já que o pleito pelas novas vagas é muito mais dos suplentes - que não participam do encontro nacional - do que dos titulares.Depois da frustração pela ausência do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), convidado para a abertura do encontro, os vereadores - a maioria do interior - receberam ontem com entusiasmo dois políticos alagoanos que atuam em campos opostos: o ex-presidente da República e hoje senador Fernando Collor de Melo (PTB) e a ex-senadora e agora vereadora em Maceió Heloísa Helena (PSOL).Heloísa Helena foi convidada para falar sobre a participação da mulher no Parlamento, mas, na hora das perguntas, o que predominou foi a emenda 333. Os vereadores pediam o engajamento da colega na mobilização pela aprovação da emenda sem redução de gastos nas câmaras municipais. A maior preocupação dos vereadores é que os deputados retomem o texto que diminuía o teto máximo de repasse às câmaras dos atuais 8% para 4,5% do orçamento municipal.O Senado aprovou, em dezembro, apenas o trecho da criação dos novos cargos de vereador e retirou a parte referente às receitas, que seria votada neste ano. No entanto, como a antiga Mesa Diretora da Câmara recusou-se a promulgar a emenda como estava, a proposta retornou aos deputados. Temer avisou que a proposta voltará a ser analisada pelas comissões antes de ir a plenário.Heloísa Helena foi cobrada pelo vereador Osvaldo Metzner (PMDB), de Indaial (SC), por ter se manifestado contra a emenda quando estava no Senado. A vereadora disse concordar com os novos cargos, mas sem aumento de gastos. "Ganhem de mim no argumento, não no grito", disse a presidente nacional do PSOL.Antes da ex-senadora, pela manhã, o convidado que mais atraiu atenção dos participantes foi Fernando Collor. Chamado de "homem de peito", o ex-presidente fez uma explanação do sobre parlamentarismo, uma de suas bandeiras no Senado. Ao chegar, foi o primeiro a lembrar os tempos da Presidência ao repetir o termo "carroça",, que usava para falar dos carros nacionais. "Em uma paródia do que eu já disse, o presidencialismo é uma carroça. Um sistema antigo, arcaico, obsoleto."

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