Vereadores de SP distribuem doações de vítimas do Rio

Doações recolhidas no começo do ano pela Defesa Civil Municipal de São Paulo para as vítimas das chuvas na região serrana do Rio de Janeiro foram distribuídas para entidades ligadas a vereadores paulistanos. O caso foi revelado ontem pela Rádio Bandeirantes AM. Segundo a reportagem, o principal beneficiário seria o vereador Ushitaro Kamia (DEM).

AE, Agência Estado

05 de maio de 2011 | 08h32

Para descobrir o suposto esquema, um repórter da rádio ligou para a funcionária da Defesa Civil responsável pela distribuição das doações, identificada apenas como Gisele. Ele se passou por representante de uma instituição que queria receber parte dos excedentes - no total, 210 das 300 toneladas de roupas, brinquedos, comida e água arrecadadas no início do ano ficaram em um galpão após as prefeituras atingidas pelas chuvas terem dito que não havia mais necessidade de mantimentos.

A funcionária então pediu que o repórter procurasse algum vereador "conhecido" para que a doação fosse liberada. "Tem que ter alguma indicação. A gente não tá liberando diretamente para qualquer instituição que liga para a gente, entendeu?", disse Gisele. Ela também afirmou que o órgão teria "contato" com Kamia. O vereador havia sido um dos principais apoiadores da campanha do coordenador da Defesa Civil, coronel Jair Paca de Lima, a deputado estadual nas últimas eleições.

Lima confirmou que Gisele trabalha no órgão e que entidades ligadas a vereadores receberam doações. Ele afirmou, entretanto, que os mantimentos estavam sendo liberados para qualquer instituição registrada na Defesa Civil. "Não houve indicação de vereador", disse. Segundo o coordenador da Defesa Civil, a funcionária negou ter afirmado que as doações eram restritas a indicados e disse que o áudio da conversa teria sido editado. Ele também negou que o caso teria qualquer relação com sua campanha eleitoral e afirmou que vai apurar o ocorrido.

Câmara

A reportagem da Rádio Bandeirantes AM foi reproduzida no plenário da Câmara Municipal de São Paulo e causou, além de constrangimento na base governista, ataques da oposição. Kamia, que vai tentar a reeleição em 2012, considerou as denúncias sem validade, porque usavam fala não autorizada da funcionária. "Isso também já foi esclarecido pelo coronel Jair Paca de Lima."

"Ajudo essa e outras entidades. Cumpro a missão de diminuir a dificuldade da população", discursou Kamia, que não achou solidariedade na Casa. O corregedor da Câmara, Marco Aurélio Cunha, também da base governista, prometeu abrir investigação ontem mesmo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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