Vereadores acusados votam contra veto em Ribeirão Bonito

Não adiantou o prefeito de Ribeirão Bonito, Rubens Gayoso Júnior (PT), denunciar os quatro vereadores que pediam propina para não derrubar seu veto às emendas incluídas no Orçamento para 2007. Numa sessão extraordinária, realizada na última quarta-feira à noite, logo após terem saído da cadeia, o presidente da Câmara, Ronaldo da Rocha (PT) e os outros vereadores acusados, Jairo Moretti (PL), que também é delegado de Polícia, Anderson Garcia (PPS) e Daniel da Silva Moraes (PPS) votaram a favor da derrubada do veto, aprovada por unanimidade. Mais de 300 pessoas lotaram a Câmara e tomaram a frente do prédio com faixas de protesto. Os manifestantes exibiam dinheiro e cantavam uma marchinha de carnaval alterando o refrão para "me dá um milão aí", numa alusão ao pedido de propina. A reunião extraordinária foi convocada pelo presidente da Câmara, um dos acusados. A Polícia Militar mandou reforço para garantir a segurança dos vereadores. As emendas que destinavam mais verbas para entidades do município foram vetadas pelo prefeito porque os recursos não estavam previstos no orçamento. Mesmo assim, os vereadores derrubaram o veto. O prefeito vai recorrer à Justiça. Os quatro vereadores são acusados de terem pedido propina para votar a favor do veto. Com autorização do Ministério Público, o prefeito usou uma câmera escondida para filmar a negociação, na qual eles pediam "um milão (mil reais) para cada um, por mês". Eles ficaram dez dias presos. O Ministério Público protocolou na última quarta-feira na Câmara pedido de cassação dos mandatos. Da corrupção ao exemplo A cidade de Ribeirão Bonito começou a se tornar exemplo de combate à corrupção em 2001, quando antigos moradores, como o auditor Antoninho Marmo Trevisan, tentaram levar melhorias à cidade e esbarraram em um esquema de corrupção na prefeitura. Foi o início da Amigos Associados de Ribeirão Bonito (Amarribo), que passou a apurar e denunciar as irregularidades Denúncia e cartilha A Amarribo entrou com denúncia no Ministério Público contra o prefeito Antonio Buzzá. Em 2002, ele renunciou, foi cassado e teve a prisão decretada; após fugir, acabou sendo preso em Rondônia. A experiência levou a associação a lançar um livro com dicas de combate à corrupção em prefeituras e de uma cartilha para orientar a fiscalização pelos cidadãos

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.