Reprodução/YouTube
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Vereadora se diz 'assustada' após ter o microfone cortado durante fala na Câmara em GO

Camila Rosa teve áudio cortado pelo presidente da Casa, André Fortaleza, em meio a uma discussão sobre cotas parlamentares

Davi Medeiros, O Estado de S.Paulo

05 de fevereiro de 2022 | 13h04

A vereadora Camila Rosa (PSD), de Aparecida de Goiânia, disse ter ficado constrangida e “assustada” ao ter seu microfone cortado pelo presidente da Câmara do município, André Fortaleza (MDB), na última quarta-feira, 2. Durante uma discussão sobre cotas de gênero na Casa, Fortaleza ordenou que o áudio da parlamentar fosse interrompido enquanto ela falava. 

O embate teve início quando o presidente da Casa mencionou no plenário uma publicação feita por Camila nas redes sociais. A postagem, que não citava o nome de Fortaleza, defendia a participação das mulheres na política. Em determinado momento da sessão, o presidente rebateu e alegou não ser contra a presença feminina na Câmara, mas contra cotas. A vereadora, então, disse que ele teria se incomodado com o post porque “a carapuça serviu”. Seguiu-se um bate-boca entre eles, até que Fortaleza ordenou que o microfone da parlamentar fosse cortado. 

“Fiquei assustada porque conheço o regimento interno da Casa, sei a partir de que momento o presidente pode pedir ordem e cortar o microfone: em caso de xingamentos, palavrões ou muita alteração do tom de voz. Não fiz nada disso”, afirmou Camila ao Estadão

A vereadora formalizou uma denúncia contra Fortaleza na delegacia do município e disse que vai levar o caso à ouvidoria do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) na segunda-feira. 

Veja o momento em que o microfone da parlamentar é cortado: 

O episódio gerou repercussão entre a classe política. Neste sábado, 5, Camila recebeu apoio do diretório nacional do Podemos, que, por meio de nota assinada pela presidente do Podemos Mulher, Márcia Pinheiro, classificou o ocorrido como “violência” e disse “repudiar veementemente” o corte do direito de fala. Via Twitter, a ex-deputada federal Manuela d’Ávila (PCdoB) e a deputada estadual Marina Helou (Rede-SP) prestaram solidariedade à vereadora. “Revoltante, absurdo! Cortar o microfone da única vereadora de Aparecida de Goiânia diz muita coisa”, publicou Marina.

Camila foi às redes sociais neste sábado agradecer o apoio que tem recebido. Ao Estadão, ela afirmou que tem passado por dias difíceis. “Acham que estou vibrando porque ganhei seguidores e notoriedade. Quem não quer sair no ‘Estadão’? Mas dessa forma é muito doloroso. Fiquei comovida quando cheguei em casa no mesmo dia e vi meu pai chorando. Nossa família sofre junto com a gente”, disse.

O vereador André Fortaleza foi procurado para comentar o episódio, mas ainda não se manifestou.

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