Vereador sem nenhum voto é empossado em município do Piauí

Armando Dias Teixeira foi beneficiado pela cassação de três vereadores eleitos e seus respectivos suplentes

REUTERS

05 de agosto de 2008 | 19h23

O agricultor Armando Dias Teixeira, doPR, foi empossado vereador no município piauiense de QueimadaNova sem ter obtido um único voto na eleição que disputou em2004. Teixeira foi beneficiado pela cassação de três vereadoreseleitos e seus respectivos suplentes, por infidelidadepartidária. "Como não sobrou nenhum suplente da coligação na época quenão tenha trocado de partido após a Resolução do TribunalSuperior Eleitoral, o mandado caiu no colo do Armando", afirmouGilvan Oliveira, diretor da Associação de Vereadores do Piauí(AVEPI), salientando que o fato é vergonhoso não apenas para aclasse, mas para todo o Estado. De acordo com Gilvan, pela Lei Eleitoral um suplente nãopode assumir um mandato sem ter tido voto. Porém, como nãoexistia outro suplente na "lista de espera" a Justiça foiobrigada a dar posse ao agricultor. "Está tudo errado. O TRE está colocando todo mundo na valacomum. É preciso que se analise caso a caso, que se examine ascondições dos suplentes", protestou. Após a promulgação da resolução 22.610/2007 pela JustiçaEleitoral, que regulamenta a fidelidade partidária, o Piauí temse notabilizado por casos inusitados. No início do ano, aprofessora Carmem Lúcia (PSB) assumiu uma vaga na Câmara deVereadores de Pau DArco com apenas um voto. "Se antes a vereadora de apenas um voto tinha sido notícianacional, esse agora será mundial", comentou Gilvan. CANDIDATO INTERINOO presidente da Câmara de Vereadores de Queimada Nova, a 522 kmao Sul de Teresina, João Rodrigues (PCdoB), disse que overeador foi empossado no último dia 27 de julho, após consultaà Justiça Eleitoral. "Fiz uma pesquisa junto ao TRE e fui informado que elepoderia sim assumir, mesmo não tendo tido nenhum voto", alegou. Já o próprio Armando disse ter tomado um susto quando foiprocurado para assumir o cargo. Ele contou que só entrou nadisputa por uma vaga de vereador em 2004 para substituir umoutro candidato na coligação que havia sido impugnado pelaJustiça Eleitoral. "O vereador Paulino Luís de Sousa (PTB), na épocacandidato, foi reprovado na prova de estudo e não pôde mais sercandidato. Então, coloquei meu nome à disposição parasubstitui-lo, só que ele recorreu da decisão e conseguiu sereleito", afirmou o vereador sem voto, explicando que continuoucandidato mas sem fazer campanha. "Eu votei foi no vereadorPaulino", declarou. Armando tem 30 anos, é lavrador, casado, tem uma filha, enão possui renda fixa. Ele não pretende disputar a reeleição."Vou apenas cumprir o restante do mandato até dezembro", falou,admitindo não saber como se faz um projeto de lei. "Ainda nãopensei nisso, mas também com essa eleição aí, acho que não vaiser preciso", acrescentou. A Câmara de Vereadores de Queimada Nova é composta por noveintegrantes, dos quais três já foram cassados por infidelidadepartidária. Outros três processos ainda serão julgados pelo TREdo Piauí, que cassou mais de 130 parlamentares em outras 60cidades do Estado. O salário de vereador em Queimada Nova é R$1,4 mil.(Reportagem de João Henrique Bezerra)

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