Vereador renuncia após ameaças em Analândia-SP

O presidente da Câmara de Analândia (SP), Leandro Eduardo Santarpio (DEM), renunciou hoje ao cargo e ao mandato de vereador e aumentou a crise política na cidade. Ele informou que se afastava para preservar sua integridade e de sua família. Na semana passada, Santarpio disse estar sendo ameaçado pelo grupo ligado à administração municipal.

JOSÉ MARIA TOMAZELA, Agência Estado

26 de outubro de 2010 | 16h54

Ele cobrava o esclarecimento da morte do vereador Evaldo José Nalin (PSDB), executado com sete tiros dentro de casa por dois homens que chegaram numa moto, no último dia 10. O presidente da Câmara também protocolara no Ministério Público um pedido de investigação nas contas da prefeitura.

Na sessão de ontem à noite, o vereador ocupou a tribuna para denunciar, em tom de desabafo, que as ameaças continuavam. "Não estou aguentando. São ligações anônimas, cartinhas, recados mandados por outros. Agem no psicológico e no emocional", disse. Na semana passada, uma bomba caseira explodiu perto de onde ele trabalhava. Santarpio disse que preferia não falar sobre os motivos da sua saída. "Se eu falo mais, não vão deixar minha família em paz, e é tudo o que eu quero".

Vereador em segundo mandato, casado, pai de um filho de dois anos, Santarpio é funcionário municipal concursado e vai se afastar também da função pública. "Aqui tem uma política suja, rasteira e sem escrúpulos. Vou fazer outra coisa e só volto quando esse quadro mudar".

Para o diretor da Associação dos Amigos de Analândia (Amasa), Vanderlei Vivaldini Junior, com a saída do vereador, a administração passa a ter "controle total" sobre o Legislativo. "Depois da execução do vereador Nalin, a oposição tem outra grande baixa com a saída do Santarpio, pois os dois vereadores que assumiram são da situação". A vaga será ocupada pelo suplente João Sodelli (DEM), ligado ao grupo do ex-prefeito e atual chefe de gabinete José Roberto Perin.

De acordo com a Amasa, Perin controla a política local há 18 anos, desde seu primeiro mandato, e estaria por trás das ameaças à oposição, o que ele nega. A Polícia Civil e o Ministério Público Estadual investigam o assassinato do vereador Nalin, mas até hoje ninguém tinha sido preso.

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