Vereador que denunciou tráfico é assassinado no Rio

Alberto Salles (PSC) foi morto na Barra da Tijuca; polícia vê execução

Clarissa Thomé, RIO, O Estadao de S.Paulo

22 de outubro de 2008 | 00h00

O vereador Alberto Salles (PSC), de 36 anos, foi assassinado na manhã de ontem, quando seguia pela avenida Ayrton Senna, na Barra da Tijuca, na zona oeste. Ele estava num Santana preto, com adesivo da Câmara de Vereadores, quando foi interceptado por um Gol branco. O motorista do vereador também foi atingido por três tiros.O crime aconteceu às 9h30. Dois homens pararam o carro à frente do Santana do vereador. Um homem alto, de blusa preta e calça jeans, desceu do Gol e fez os disparos ao lado do banco do carona, à queima-roupa. Três tiros atingiram Salles no rosto e outros dois nos braços. O motorista José Natalino da Silva, de 44 anos, foi ferido de raspão por dois tiros e ficou com um projétil alojado num dos ombros.Para a polícia, o crime foi uma execução - a hipótese de assalto foi descartada, já que nada foi levado -, mas a motivação ainda não foi definida. Salles estava na segunda legislatura - era suplente e assumiu no meio do mandato. Em 5 de outubro, teve pouco mais de 8 mil votos, sua pior votação, e ficou na terceira suplência do seu partido.A última campanha de Salles foi marcado por dois fatos violentos. No início de agosto, cabos eleitorais foram impedidos por traficantes de colar cartazes na Favela Mundial, na Pavuna, na zona norte. Eles exigiram um fuzil para liberar o acesso dos funcionários do vereador.Salles denunciou o episódio. Em 12 de agosto, seu segurança foi baleado, também na Pavuna. Na ocasião, o vereador chegou a dizer que acreditava que o atentado era, na verdade, um recado para ele."Vamos investigar a vida dele, saber as circunstâncias que podem ter levado ao crime, se ele tinha inimigos, se há dívidas, relacionamentos duvidosos com alguma mulher", afirmou o delegado Carlos Augusto Nogueira Pinto. "Parece que ele fez uma denúncia de ameada à PF, por conta do episódio na campanha. Tudo isso será levantado."Além da atividade como vereador, Salles mantinha centros sociais em favelas do Rio e era dono de uma empresa de terraplanagem, a Construvivo.Na manhã de ontem, o vereador foi socorrido por uma ambulância e levado para o Hospital Municipal Lourenço Jorge, que não tem serviço de neurocirurgia.Salles teve intensa hemorragia e chegou a receber duas bolsas de sangue. Amigos, como o fisioterapeuta do jogador Romário, Fernando Lima, o Zé Colméia, articulavam sua transferência para o Hospital Barra D?Or quando veio a notícia de que o vereador havia morrido, às 12h30.A preocupação com a violência na campanha para vereador e prefeito no Rio mobilizou tropas das Forças Armadas para dar garantia a candidatos e a eleitores. Desde o início do primeiro turno, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e a polícia passaram a receber denúncias de que, em algumas comunidades, traficantes e grupos de milicianos tentavam obrigar eleitores a apoiar determinados candidatos. COLABOROU TALITA FIGUEIREDOFRASESCarlos Augusto PintoDelegado"Vamos investigar a vida dele. (...) Parece que fez uma denúncia de ameaça à PF, por conta do episódio na campanha. Tudo isso será levantado"Orlando GonçalvesEmpresário, primo do vereador"Ele trabalhava com tanta coisa que fica difícil começar"

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