Vereador propõe vara de marmelo contra 'lei da palmada'

O vereador Benedito de Jesus Oleriano, do PMN, levou uma vara de marmelo ontem na sessão da Câmara de Sorocaba a fim de defender o direito dos pais de aplicar corretivos nos filhos. "Se palmada não pode, vara de marmelo pode", disse o vereador, sacudindo uma varinha verde enquanto discursava na tribuna. "Isso aqui serve para mostrar quem manda na casa", argumentou.

JOSÉ MARIA TOMAZELA, Agência Estado

25 de agosto de 2010 | 15h19

A Câmara discutia uma moção do próprio vereador em repúdio ao projeto enviado pelo governo ao Congresso estabelecendo o direito da criança e do adolescente de serem educados sem palmadas e outros castigos físicos. A proposta ficou conhecida como "lei da palmada".

A atitude do vereador causou polêmica. Evangélico, ele leu uma passagem bíblica, do livro de Provérbios, para defender sua convicção: "Não retires a disciplina da criança, porque, fustigando-a com a vara, nem por isso morrerá. Tu a fustigarás com a vara e livrarás sua alma do inferno." Para ele, o inferno de hoje são as drogas e muitos jovens se tornam viciados por não terem recebido a devida educação. "Quando os pais deviam usar a vara de marmelo, não usaram."

Oleriano já havia causado polêmica ao alegar que o vereador Antonio Donizeti Silvestre (PSDB) não podia se manifestar sobre a lei da palmada porque, embora tivesse mais de 40 anos, não era casado nem tinha filhos. Silvestre pediu abertura de processo por quebra de decoro, por entender que o colega fora preconceituoso, lançando dúvida sobre sua opção sexual.

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