Yasmim Fernandes Borges/CMPA
Yasmim Fernandes Borges/CMPA

Vereador da Bancada Negra em Porto Alegre relata ter sofrido nova ameaça de morte

É a terceira ameaça em apenas um ano de mandato de Matheus Gomes; integrantes da bancada já haviam recebido mensagem semelhante

Natália Faria e Felipe Uhr, especial para o Estadão, O Estado de S.Paulo

05 de janeiro de 2022 | 18h10

O vereador da Câmara Municipal de Porto Alegre Matheus Gomes (PSOL), afirmou ter sido ameaçado de morte no último dia 27 de dezembro. É a terceira vez desde que o parlamentar iniciou suas atividades no Legislativo. O parlamentar disse que a mensagem chegou por meio do e-mail institucional e tinha conteúdo semelhante ao de ameaça dirigida no início de dezembro a todos os membros da Bancada Negra na Câmara. Entretanto, desta vez, apenas Gomes recebeu a mensagem.

Em rede social, o vereador informou que já comunicou a Polícia Civil e a Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul sobre a mensagem. “Urge acelerar as investigações e a punição desses fascistas! É inadmissível que não tenhamos segurança para o exercício do nosso mandato. Vamos ampliar a resistência e a solidariedade, não nos calarão!”, disse.

Gomes foi eleito com 9.869 votos nas eleições de 2020, sendo o quinto vereador mais votado no município. O parlamentar compõe a Bancada Negra de Porto Alegre ao lado das vereadores Daiana Santos (PCdoB), Karen Santos (PSOL), Bruna Rodrigues (PCdoB) e Laura Sito (PT).

Histórico de ameaças

A primeira ameaça que Gomes recebeu foi logo no início do seu mandato, em 1º de janeiro de 2021, após um protesto realizado pela Bancada Negra durante a execução do hino do Rio Grande do Sul na cerimônia de posse dos novos vereadores.

No começo de dezembro, Gomes, Karen, Laura e Daiana receberam, em seus e-mails institucionais, ameaças de morte. Na mensagem, o remetente se identificava como um morador do Rio de Janeiro que iria até a capital gaúcha para matar os parlamentares negros.O texto continha expressões racistas, homofóbicas e lesbofóbicas e dizia que a Câmara era um espaço para “homens brancos de bem”. Na época, a bancada registrou um boletim de ocorrência na Delegacia de Repressão aos Crimes Informáticos da Polícia Civil de Porto Alegre. “Eu juro, mas eu juro que vou comprar uma pistola 9 mm no Morro do Engenho aqui no Rio de Janeiro e uma passagem só de ida pra Porto Alegre e vou te matar”, dizia uma parte do e-mail com a ameaça virtual, assinada com o nome de Ricardo Wagner Arouxa. Este nome, segundo a denúncia registrada pela vereadora Daiana, é utilizado por um fórum anônimo na deep web chamado Dogolachan. Agora quem investiga o caso é a Delegacia de Polícia de Combate à Intolerância (DPCI). “Reforço que este crime já está sendo investigado pela Polícia Civil e será tratado com a devida atenção”, declarou o vice-governador e secretário da Segurança Pública, Ranolfo Vieira Júnior, quando esteve reunido com os parlamentares da bancada negra, mês passado. 

Nazismo

Em outubro de 2020, uma tumultuada sessão plenária acabou em violência. A pauta era a obrigatoriedade do passaporte vacinal, mas vereadores e manifestantes contrários ao passaporte trocaram socos e empurrões. Durante o conflito, as vereadoras Daiana e Bruna relataram que uma manifestante as chamou de "lixo”. "Vocês são minhas empregadas”, disse a manifestante, que levava ainda um cartaz com a suástica.

Os atos de racismo e de apologia ao nazismo ocorreram no plenário e foram denunciados pelas parlamentares em boletim de ocorrência.

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