Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Vereador do PSOL quer investigação sobre ex-assessores de Carlos Bolsonaro no Rio

Tarcísio Motta pediu abertura de processo disciplinar no Conselho de Ética da Câmara do Rio para apurar suspeita de que filho do presidente tenha empregado funcionários fantasmas em seu gabinete

Fábio Grellet, O Estado de S. Paulo

27 de junho de 2019 | 20h09

RIO - O vereador carioca Tarcísio Motta (PSOL) pediu nesta quinta-feira, 27, a instauração de um processo disciplinar contra o colega Carlos Bolsonaro (PSL) para apurar a suspeita de que o filho do presidente Jair Bolsonaro tenha empregado funcionários fantasmas em seu gabinete na Câmara Municipal do Rio

Para que o requerimento seja admitido pelo Conselho de Ética da Câmara é preciso que tenha as assinaturas de pelo menos 21 dos 51 vereadores da Casa. No documento apresentado ao plenário, Tarcísio elencou como supostas irregularidades o fato de três pessoas lotadas no gabinete de Carlos no passado terem afirmado à revista Época que não trabalharam para o vereador.

Além disso, o parlamentar do PSOL afirmou que um outro funcionário do gabinete de Carlos, na prática, auxiliava seu pai, o atual presidente da República. Para Tarcísio, essas práticas são “incompatíveis com o decoro parlamentar e configuram, em tese, crimes de peculato e falsidade ideológica, ilícitos administrativos e eleitorais, bem como improbidade administrativa”.

No início deste mês, uma reportagem do Estado mostrou que outros dois ex-funcionários de Carlos ligados a Fabrício Queiroz nunca emitiram crachá funcional ou registraram entrada como visitantes na Câmara do Rio: Claudionor Gerbatim de Lima e Márcio da Silva Gerbatim. 

Queiroz é o pivô da crise envolvendo o irmão de Carlos, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). O Ministério Público do Rio afirmou ter indícios de que o ex-assessor de Flávio operou um esquema de desvio de dinheiro com funcionários fantasmas no antigo gabinete dele na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), prática conhecida como "rachadinha".

Procurado pelo Estado, Carlos Bolsonaro não havia se manifestado até o início da noite desta quinta-feira. Pelo Twitter, o vereador negou irregularidades e criticou a iniciativa do adversário político: "O PSOL, braço do PT, entrará no conselho de ética alegando eu ter funcionários fantasmas baseados em notícias de jornal. Terão que provar! O regimento interno, a lei orgânica e fatos reais são soberanos. Eles sabem disso! Bastaria se informar! Próxima!"

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