Vereador denuncia prefeito de Bebedouro

O Ministério Público Estadual (MPE) e a Câmara Municipal de Bebedouro, na região de Ribeirão Preto, receberam nesta quarta-feira cópias de uma representação criminal contra o prefeito Hélio de Almeida Bastos (PMDB). Na representação, encaminhada por Adriana Campanelli, mulher do vereador Fábio Campanelli (PFL), consta uma denúncia com três CDs de conversas gravadas, na qual Bastos estaria ameaçando e pressionando Campanelli para que este deixasse de ser crítico no Legislativo e até encerrasse, aos poucos, uma CPI. O MPE encaminhou os CDs para a Polícia Civil, pedindo perícia técnica, e a Câmara deverá analisar se abre uma Comissão Processante na sessão de segunda-feira (06), que poderia cassar Bastos. O prefeito não quis se manifestar.Campanelli, que está em seu primeiro mandato, disse que estava sendo coagido pelo prefeito. Ele preside uma CPI sobre compras da prefeitura e provocou outra, na área de saúde. Em represália, o prefeito teria pedido a abertura de um processo administrativo disciplinar contra Campanelli, alegando falta de assiduidade no trabalhar e recebimento sem trabalhar, após ameaças diretas. Aí foram iniciadas conversas com o prefeito, que mandou um emissário. O vereador disse que gravou três conversas diretamente com o prefeito para se garantir. "Ele me disse que tudo poderia se normalizar mediante entrar em acordo com ele", afirma Campanelli.Campanelli disse que os CDs seriam sua garantia para continuar sua rotina, sem divulgá-los e sem se vender. Mas a informação do processo administrativo disciplinar vazou e ele decidiu apresentar o caso ao MPE e à Câmara. "Sou fisioterapeuta e estou como vereador; estamos vendo denúncias de corrupções de políticos e isso veio acontecer no meu quintal, sou honesto e vivo do meu trabalho", afirmou Campanelli. O prefeito Bastos foi procurado pela reportagem, mas sua assessoria de imprensa disse que ele não foi notificado e que não sabia do teor das denúncias, por isso não iria se posicionar.O promotor criminal Paulo Freire Teotônio encaminhou a representação ao delegado seccional José Eduardo Vasconcelos, que deverá providenciar a perícia técnica sobre a autenticidade das gravações e as gravações dos CDs, além de ouvir Campanelli e até funcionários públicos que também estariam envolvidos no caso. Teotônio informou que, se for confirmado o crime, irá remeter o caso à Procuradoria-Geral de Justiça do Estado, a quem caberia decidir pela abertura ou não de investigação contra o prefeito Bastos, que está em seu terceiro mandato. Porém, o MPE poderá abrir ação civil pública por improbidade administrativa, mas que ficaria sob a responsabilidade do promotor Fábio Constantini.

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