Polícia Civil / Divulgação
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Vereador de Porto Alegre é preso suspeito de extorquir assessores

Prisão é resultado de uma operação da Polícia Civil que cumpre mandados de prisão e de busca e apreensão na casa do vereador e em seu gabinete parlamentar

Luciano Nagel, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

01 de outubro de 2019 | 10h54
Atualizado 01 de outubro de 2019 | 18h33

PORTO ALEGRE – O vereador André Carús (MDB), de 37 anos, foi preso nesta terça-feira, 1.º, em seu apartamento em Porto Alegre. Além do parlamentar, outras duas pessoas tiveram a prisão temporária decretada, entre elas um servidor do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) e outro do Departamento Municipal de Habitação (Demhab). Um terceiro suspeito foi detido em flagrante, por porte ilegal de arma de fogo. Carús é suspeito de exigir que servidores façam empréstimos consignados e repassem a o dinheiro ele.

A prisão é resultado de uma operação da Polícia Civil, que cumpriu 2 mandados de prisão e 10 de busca e apreensão, incluindo o apartamento do vereador e seu gabinete parlamentar. Também foram cumpridas diligências nas casas de seus assessores, no Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae), Departamento Municipal de Habitação (Demhab) e em uma instituição financeira. André Carús é suspeito de obrigar assessores a tirar empréstimos consignados e repassar o dinheiro a ele.

A operação policial, denominada “Argentários”, apura crimes contra a administração pública e associação criminosa dentro da Câmara Municipal de Porto Alegre. Durante as buscas, foram apreendidos dentro da instituição financeira R$ 60 mil, 3,8 mil dólares, 1.765 libras esterlinas e 2.605 euros. No local também foram apreendidas duas armas.

A denúncia foi feita a Polícia Civil a partir de uma ex-assessora do parlamentar que fazia empréstimos em seu nome e repassava o dinheiro ao vereador. Ela trabalhava desde 2017 com André Carús na Câmara de Vereadores de Porto Alegre. Os valores dos empréstimos, segundo a Polícia, chegavam a R$ 100 mil. 

Em coletiva de imprensa, o delegado responsável pelo inquérito, Max Ritter, afirmou que as investigações continuam mesmo após as prisões dos suspeitos. “Estamos investigando um possível crime de concussão, que é exigir vantagem indevida a partir do seu cargo público e também associação criminosa”, afirmou.

Defesa

O vereador André Carús, através do seu advogado de defesa, afirma, em nota, que irá “colaborar com as investigações e tem total interesse em esclarecer todos os fatos à polícia e à sociedade” e que as acusações serão “contestadas”.

Em nota, a presidente da Câmara Municipal de Porto Alegre, vereadora Mônica Leal (PP) afirmou que se prontificará a colaborar com a Polícia Civil. “Nesta fase do procedimento, a Câmara Municipal de Porto Alegre se prontificou a colaborar com a Polícia Civil para a ampla investigação dos fatos. A Câmara Municipal de Porto Alegre aguarda as investigações para adotar as medidas cabíveis no âmbito interno”, diz a nota.

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