Vereador condenado por corrupção de menores assume cargo

Sem alarde, sem protesto de populares e por determinação judicial, Luís César Lanzoni (PTB) assumiu nesta quarta-feira o cargo de vereador na Câmara de Porto Ferreira, na região de Ribeirão Preto. Ele foi preso em agosto de 2003 e condenado (a 45 anos de prisão, mas com pena reduzida para dez anos) por corrupção de menores, favorecimento à prostituição e formação de quadrilha, após o escândalo de aliciamento de meninas e orgias ocorridas em festas em ranchos da cidade. Porém, mesmo assim foi o terceiro vereador mais votado (846 votos) na eleição de 2004, mas não pôde assumir porque estava numa das celas da Penitenciária de Sorocaba, de onde saiu em 11 de novembro de 2006. Ele foi substituído pelo suplente Orlando Pedro (PTB).O juiz da 2ª Vara Cível de Porto Ferreira, Márcio Roberto Alexandro, concedeu uma liminar, na terça, em mandado de segurança impetrado pelo advogado de Lanzoni, determinando que a posse fosse imediata. Assim, o atual presidente da Câmara, Luís Antonio de Moraes (PPS), fez o ato de posse nesta manhã. "Se eu fosse o presidente, eu não daria posse e recorreria ao Tribunal de Justiça (TJ) e ao Tribunal Regional Eleitoral (TER)", disse o vereador Gilson Strozzi (PSDB), que presidiu o Legislativo entre 2005 e 2006. Em novembro do ano passado, Lanzoni tentou assumir o cargo por meio da Justiça, mas o Legislativo pediu vistas do processo. Em 2003, quando foi preso, Lanzoni presidia a Câmara.O ato de posse de Lanzoni demorou cerca de dez minutos e teve a presença de amigos e parentes. Lanzoni foi condenado a 45 anos de prisão pela Justiça local, mas o TJ diminuiu a pena para dez anos. Por cumprir parte da pena e por bom comportamento, Lanzoni obteve a liberdade condicional em novembro de 2006. Em 2003, seis vereadores, quatro comerciantes e empresários e um garçom (Valter Mafra, o único que ainda está preso) foram presos por vários crimes a partir do aliciamento de meninas e quase todos foram condenados, mas já estão soltos - apenas o empresário José Carlos Terassi permanece foragido até agora.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.