Ed Ferreira/Estadão
Ed Ferreira/Estadão

Verdade não significa revanchismo, afirma Dilma sobre ditadura

Presidente chora em cerimônia de entrega do relatório final da Comissão da Verdade e diz que investigação sobre crimes cometidos contribui para consolidação da democracia

Erich Decat e Lilian Venturini, O Estado de S. Paulo

10 Dezembro 2014 | 10h20

Atualizado às 10h53

Brasília - Ao receber o relatório final da Comissão Nacional da Verdade, a presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quarta-feira, 10, que o trabalho do grupo vão deve ser visto como "revanchismo" e prometeu tirar "todas as consequências necessárias" das recomendações apresentadas pelo colegiado que apurou crimes e abusos cometidos durante a ditadura. A presidente, que se emocionou diversas vezes em seu discurso, disse ainda que a comissão contribui para esclarecer detalhes de um passado "doloroso e triste" e para consolidar a democracia.

"A busca da verdade histórica é forma de construir democracia e zelar pela sua preservação. Verdade não significa revanchismo e não deve ser motivo para ódio. Verdade liberta, produz consciência, aprendizado, conhecimento e respeito", afirmou Dilma na solenidade realizada no Palácio do Planalto.

O relatório contém 4.400 páginas e foi dividido em três volumes, o maior deles trata dos relatos sobre os 434 mortos e desaparecidos durante a ditadura. "Fizemos o que estava ao nosso alcance fazer", afirmou o coordenador da comissão, Pedro Dallari, que defende a continuidade das investigações. "Escrevemos este relatório com a firme convicção de que os fatos nele descritos não se repetirão nunca mais", complementou.

Para Dilma, o relatório é apenas uma etapa de investigação de violações de Direitos Humanos ocorridas entre 18 de setembro de 1946 e 5 de outubro de 1988. "O relatório que a Comissão Nacional da Verdade apresenta para nós aqui hoje é resultado de intenso trabalho. Eu ao receber esse relatório tenho que certeza que ele encerra uma etapa e inicia uma nova".

Em seu discurso, Dilma afirmou que o governo federal vai se "debruçar" sobre o relatório. "Vamos olhar as recomendações e delas tirar todas as consequências necessárias." 

A presidente, que foi militante das organizações armadas Colina e VAR-Palmares e chegou a ser presa e torturada pela repressão, chorou ao falar sobre as vítimas e desaparecidos políticos. Para Dilma, o trabalho da comissão contribui para a consolidação da democracia e ajudou a esclarecer momentos de um passado "doloroso e triste".

"Reconquistamos a democracia à nossa maneira, por meio de lutas duras. Sempre. Sempre reconheceremos e reverenciaremos todos que lutaram pela democracia. Também reconhecemos pactos políticos que colaboraram para a conquista da democracia. Agradeço os familiares dos mortos e desaparecidos que aceitaram contar histórias. O relatório traz grande benefício ao povo, ao assegurar memória histórica. O Brasil já trilha três décadas de democracia empenharemos todas as forças para continuar", ressaltou.

O colegiado divulgou em seu site a íntegra do documento entregue a Dilma, em que detalha a apuração de crimes e informações sobre desaparecidos políticos.

Comissão. A Comissão Nacional da Verdade foi criada pela Lei 12528/2011 e instituída em 16 de maio de 2012 com a finalidade de apurar graves violações de Direitos Humanos ocorridas entre 18 de setembro de 1946 e 5 de outubro de 1988. Em dezembro de 2013, o mandato da CNV foi prorrogado até dezembro de 2014 pela medida provisória nº 632. A CNV foi composta por sete membros: Gilson Dipp, José Carlos Dias, José Paulo Cavalcanti Filho, Maria Rita Kehl, Paulo Sérgio Pinheiro, Rosa Cardoso e Pedro Dallari (atual coordenador da CNV). Claudio Fonteles integrou o colegiado entre maio de 2012 e junho de 2013.

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