Verba pública teria pago até joias no Tocantins

Ex-assessora entrega documentos à PF que indicam compra de presentes pelo governador para a mulher

Mariângela Gallucci, O Estadao de S.Paulo

19 de maio de 2009 | 00h00

Alvo de um processo que pede sua cassação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por abuso de poder econômico e compra de votos, o governador de Tocantins, Marcelo Miranda, está no meio de novo escândalo. A ex-assessora do governo Ângela Costa Alves entregou documentos à Polícia Federal que indicam que dinheiro público foi usado para comprar presentes, como roupas de grife e joias, para a primeira-dama do Estado, Dulce Miranda. O TSE deverá julgar o processo contra Miranda até junho. O Ministério Público Eleitoral opinou que o mandato do governador deve ser cassado. Advogado do governador, Admar Gonzaga nega que tenham ocorrido irregularidades. "Não há nos autos comprovação de entrega de dinheiro e corrupção", disse o advogado.Gonzaga afirmou que não serão incluídas no processo que tramita no TSE as suspeitas levantadas recentemente contra o governador pela ex-assessora, que trabalhou com a primeira-dama.AUTOSConforme reportagem publicada neste final de semana pela revista Veja, Ângela contou que foi obrigada a abrir uma conta para receber dinheiro desviado do governo. Esse dinheiro seria usado para pagar despesas da primeira-dama com compra de joias e roupas. A secretária também afirmou que existem dezenas de recibos que comprovariam a distribuição de dinheiro a eleitores."Os elementos informados pela revista não estão incluídos no repertório de documentos do processo no TSE. Esses documentos não estão nos autos. Se existem, se são verídicos, não poderão ser levados em conta no julgamento (do TSE)", afirmou Admar Gonzaga.No processo que tramita no TSE, o Ministério Público Eleitoral afirma que o equilíbrio da eleição foi afetado por atos do governador, entre eles o preenchimento de cargos públicos, o uso indevido dos meios de comunicação e a distribuição de casas, óculos e cestas básicas."Pelo elevado número de ações praticadas pelos recorridos (Marcelo Miranda e seu vice, Paulo Sidnei Antunes) no sentido de transparecer a efetiva participação em programas sociais, restou comprovado, no presente caso, a ocorrência de abuso de poder, sendo que as condutas praticadas irregularmente tinham capacidade e potencialidade para, somadas, influenciar no resultado do pleito em favor do governador-candidato à reeleição. Contaminou-se, então, a lisura do pleito, de forma a quebrar a legitimidade da eleição e o equilíbrio da disputa", sustenta o Ministério Público Eleitoral.

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