Verba extra a UFRJ não cobre dívida com a Light

A suplementação orçamentária liberada pelo Ministério daEducação ontem não é suficiente para cobrir nem a dívida que aUniversidade Federal do Rio de Janeiro tem com a Light. A UFRJ vai receber um complemento de R$ 4,7 milhões este ano, bem menos do que os R$ 7,7 milhões necessários para pagar a conta de energia elétrica. "Este dinheiro vai cobrir apenas parte da dívida. O resto não vamos poder pagar", reclamou o reitor da UFRJ, Carlos Lessa. "O problema é que o governo libera o reajuste das tarifas, mas esquece de que deveria haver um aumento automático no nosso orçamento. Só este ano a nossa conta de luz pulou de R$ 800 mil para mais de R$ 1 milhão (mensais)."Por causa de um atraso de sete meses no pagamento da conta dauniversidade, a Light cortou o fornecimento de energia elétrica noúltimo dia 6. Ficaram sem luz vários prédios, entre eles a Reitoria e o Hospital Universitário. Um dia depois do corte, a universidade assinou um acordo com a empresa e se comprometeu em pagar a dívida em quatro parcelas. O primeiro pagamento, no valor de R$ 800 mil, já foi feito, afirma o reitor. "Mas não sabemos se conseguiremos continuar pagando por muito tempo porque as tarifas sobem com o dólar", diz Lessa.Hoje, 36 reitores se reuniram no Rio para discutir os problemas dassuas instituições de ensino. Eles comemoraram a liberação dos R$ 90 milhões (dos quais R$ 4,7 milhões vão para a UFRJ), mas reclamaram da mudança da destinação da verba. Na primeira proposta, R$ 70 milhões dos R$ 90 milhões seriam destinados ao custeio, mas o ministério acabou limitando em R$ 63 milhões para as despesas das universidades por causa do aumento do custo dos bolsistas no exterior.AutonomiaOs reitores elaboraram ainda uma moção pedindo mudanças nalei 10.480, de julho deste ano. A legislação criou a Procuradoria-Geral Federal, que, vinculada à Advocacia-Geral da União, fica responsável pela representação judicial de fundações e autarquias públicas federais - entre elas universidades. Para os reitores, a nova lei fere o princípio constitucional da autonomia universitária. "Entendemos que será, de fato, o fim da autonomia porque nem o reitor terá poder para deliberar sobre questões jurídicas, como contratos, convênios etc.", explica o presidente da Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior, Mozart Neves Ramos. O apelo para a mudança da lei será levado ao presidente Fernando Henrique Cardoso, à Câmara, ao Senado e ao ministro da Educação, Paulo Renato Souza. Os reitores também redigiram ontem uma carta que será levada a todos os presidenciáveis. No documento, os reitores descrevem os principais problemas que afetam as universidades públicas federais. "Nosso objetivo é entregar aos candidatos uma carta que contenha as nossas principais preocupações. Além disso, vamos convidar os presidenciáveispara que visitem as instituições e conheçam esses problemas de perto", completou Neves Ramos.

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