Verba da Sudam patrocinou violência

A Procuradoria da República no Pará está investigando a participação de vários empresários de Altamira na expulsão, com homens armados, de centenas de colonos, cujas terras foram invadidas e depredadas no final do ano passado em Anapu, município do sudoeste do Estado. Os empresários alegaram que precisavam das terras para plantar açaí, pupunha, cupuaçu e cacau, e que no local iriam implantar projetos financiados pela Sudam.A denúncia, feita ao procurador Felício Pontes Júnior por sindicatos e associações do município de Anapu, revela que uma área superior a 2 mil campos de futebol foi desmatada pelos empresários, que expulsaram os colonos e se apropriaram de toda a madeira utilizando os nomes do presidente do Senado, Jader Barbalho, e do deputado federal José Priante, de quem se diziam amigos. Uma cópia da denúncia foi entregue ao ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, e à direção do Incra, em Brasília. Por determinação da superintendente do Ibama em Belém, Selma Melgaço, fiscais do órgão realizaram duas operações em áreas dentro e próximas da Gleba Belo Monte, em Anapu, comprovando a derrubada ilegal da floresta. Os fiscais autuaram 14 empresários por desmatamento, corte e transporte ilegal de madeira, aplicando multas no total de R$ 404 mil. Apenas três resolveram pagar. Os outros onze decidiram recorrer contra a autuação. Os empresários José Soares Sobrinho e Danny Gutzeit, que juntos receberam mais de R$ 20 milhões da Sudam, são os que mais teriam se utilizado da violência para se apossarem das terras dos colonos e derrubar a floresta. Soares foi preso e passou cinco dias na cadeia de Palmas (TO), acusado de fraudes na Sudam. Nenhum dos citados na ação foi localizado pela reportagem para defender-se das acusações.

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