Verba da Sudam foi para firma desativada

O Ministério Público Federal (MPF) concluiu que a empreiteira Engeblon Incorporações de Obras - que recebeu o equivalente a 99,2% dos recursos liberados pela extinta Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) para o projeto Usimar, no Maranhão - estava desativada há três anos. Para os procuradores federais que investigam irregularidades no empreendimento, a Engeblon é o "braço principal " do esquema de lavagem de dinheiro executado com verbas de incentivo. Segundo o Ministério Público, "ao que tudo indica", a Engeblon foi reativada em 31 de março de 2000, exclusivamente para emitir notas fiscais frias para o Grupo New Hubner - ligado à Usimar Componentes Automotivos.A Usimar é dirigida por empresários paranaenses que apresentaram projeto à Sudam para fabricação de autopeças e fundição de ferro-guza em São Luís. O projeto, com um orçamento de R$ 1,38 bilhão, foi aprovado em 14 de dezembro de 1999 pelo Conselho Deliberativo da autarquia. A governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL), fez parte do conselho. Em janeiro e março de 2000, a Usimar recebeu créditos que somaram R$ 44,15 milhões. O projeto seria instalado em área que foi desapropriada pelo governo maranhense e, depois, vendida para a Usimar.Os procuradores Sergei Araújo e Kelston Lages estão convencidos de que o projeto Usimar "é uma farsa". Eles constataram que a empresa lançou nos livros contábeis pagamentos em favor de supostos fornecedores. O valor do contrato firmado pela Usimar com a Engeblon é de R$ 604,6 milhões - correspondentes a quase 50% de todo o valor do projeto. A Engeblon foi contratada para o gerenciamento e execução da totalidade das obras civis. A partir de março de 2000, assumiu a administração das obras e os pagamentos de todos os contratos.A Receita Federal constatou que toda a verba referente à obra foi repassada à Engeblon, que se responsabilizou pelo pagamento às subempreiteiras, "talvez, no intuito de dificultar a investigação". A contabilidade da Usimar registra pagamento à Engeblon de R$ 43,79 milhões - ou 99,2% do total transferido pela Sudam.A Engeblon tem um único funcionário. "Para uma empresa que, comprovadamente, não possui nenhum maquinário e nem estrutura física para tal, só poderá haver desvio de recursos através de notas fiscais frias", acusam os procuradores. O juiz Leomar Amorim, da 3.ª Vara Federal no Maranhão, decretou a quebra do sigilo bancário e fiscal da Usimar, da Engeblon e de outras sete pessoas jurídicas envolvidas com o projeto.

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