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Ausência de pontes nos três primeiros meses de governo Bolsonaro e discurso voltado a estigmatizá-los nas redes sociais deixaram políticos ressabiados

Vera Magalhães, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2019 | 05h00

O sentimento dominante entre os presidentes e líderes de partidos antes da conversa marcada para amanhã com Jair Bolsonaro é de ceticismo. Ao marcar uma série de audiências em sequência, no mesmo dia, com representantes de siglas que integram, grosso modo, o chamado Centrão, o presidente pretende dar uma demonstração de que aceitou os apelos pela necessidade de iniciar uma articulação política mais consistente com o Parlamento.

Mas a ausência de pontes nos três primeiros meses de governo, somada ao discurso voltado a estigmatizá-los nas redes sociais, deixou os políticos ressabiados. Alguns me dizem que não irão sozinhos ao encontro de Bolsonaro, e chamaram deputados e senadores como “testemunhas”. “Sei lá se o presidente vai sair de lá dizendo que pedimos isso e aquilo”, diz um dos convidados.

Outros duvidam da real disposição de Bolsonaro de tornar o diálogo com os políticos constante e efetivo. “Enfileirar seis conversas num dia mostra que não se quer conversar, mas sim posar para fotos”, me diz um presidente de legenda.

Mas o que seria, para a classe política, o tal diálogo profícuo? O consenso reinante nos partidos é de que ele pressupõe gestos de “carinho”, recursos na base e divisão de espaços de poder. A execução orçamentária, afirmam, está parada. Os gestos são apenas de ataques. E os postos nos Estados seguem fechados ao compartilhamento. Daí porque, até amanhã, o clima geral seja de não botar muita fé de que algo vá mudar na relação entre Executivo e Legislativo.

INQUIETAÇÃO

Militares aguardam por desagravo a Santos Cruz

Jair Bolsonaro será instado pelos seus conselheiros militares a fazer um desagravo ao ministro Carlos Alberto dos Santos Cruz, da Secretaria de Governo, alvo de uma campanha de difamação por parte do polemista Olavo de Carvalho. Há um inconformismo nas três Forças diante da baixeza dos ataques, sem contraponto de Bolsonaro. O que se ouve é que, dado o trânsito do ideólogo com pessoas próximas ao presidente e sua família, o silêncio quanto a um ministro palaciano será lido pela sociedade como aquiescência, o que é considerado inadmissível.

PREVIDÊNCIA 1

Presidência de comissão será de deputado não governista

Rodrigo Maia (DEM-RJ) está propenso a acolher a indicação do governo e trabalhar pelo tucano Eduardo Cury (SP) para a relatoria da reforma da Previdência na Comissão Especial da Câmara, onde o “bicho” vai pegar. Mas o presidente do colegiado, responsável por determinar o ritmo e o formato da discussão, não precisa ter “empatia” com o governo: será escolhido no grupo mais identificado com o presidente da Câmara, no bloco que atuou pela sua reeleição para o posto.

PREVIDÊNCIA 2

‘Jogo duplo’ de governadores constrange deputados

Deputados de vários partidos relatam desconforto com o que consideram jogo duplo dos governadores, principalmente os de oposição, na discussão da reforma: enquanto Paulo Câmara (PE) e Rui Costa (PT), por exemplo, dão declarações públicas de apoio à emenda, que pode aliviar a situação fiscal dos Estados, deputados do PT e do PSB ocupam os holofotes para bombardear a proposta.

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