Venezuela tem direito de se armar, diz Marinha brasileira

Para comandante, Chávez supera liderança militar do Brasil com submarinos russos

Agencia Estado

04 de julho de 2007 | 17h25

O comandante da Marinha brasileira, almirante Julio Soares de Moura Neto, defendeu o direito da Venezuela de comprar submarinos russos e disse que não está preocupado com uma ameaça do país vizinho a partir do desequilíbrio de poder na região. "A Venezuela está fazendo um programa de reaparelhamento. Como nós também aqui no Brasil estamos tentando fazer", afirmou o almirante em entrevista a correspondentes estrangeiros."Eu acho que todos os países têm o direito de ter as Forças Armadas perfeitamente delineadas e equipadas de acordo com a sua visão estratégica, com sua visão de política de defesa", disse ele.O comandante disse que não vê a atuação da Venezuela como um risco para o Brasil. "Não me parece que seja um risco. A Venezuela mantém relações diplomáticas e cordiais com o Brasil. As Marinhas mantêm relações muito boas", afirmou.Mas ele admite que, se realmente comprar os novos equipamentos, o país de Hugo Chávez ficará à frente de todos os países da América do Sul, papel hoje do Brasil. Segundo o almirante, o submarino não é uma arma de ataque, mas de dissuasão de ataques inimigos. "É uma arma que indica: eu aqui tenho como me defender."O Brasil tem uma frota de cinco submarinos, mas o comandante da Marinha disse que eles precisam de renovação e de reforços. "Se a compra deles for confirmada e nós não fizermos o mesmo, ficaremos com equipamentos mais atrasados", afirmou. ReaparelhamentoO Programa de Reaparelhamento da Marinha, elaborado em 2005, ainda depende da aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.O plano prevê investimentos de R$ 5,7 bilhões na primeira fase, até 2012, dos quais pouco mais de R$ 2 bilhões seriam destinados à construção de um novo submarino e à modernização dos cinco que o país já possui."Esta é a prioridade principal da Marinha", afirmou o almirante. Os submarinos atualmente em operação têm idade média de 10 anos. O programa prevê ainda a produção de novos navios patrulha oceânicos e fluviais, navios escolta e navios anfíbios. Porém, o principal projeto da Marinha é o submarino nuclear, com reator com tecnologia brasileira. O projeto ainda depende da aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e da liberação de US$ 1 bilhão para sua conclusão. "Estamos aptos a construir. Se vamos construir é uma decisão do governo", afirmou. Com o submarino nuclear, o Brasil retomaria a liderança nos mares da região, mesmo se a Venezuela tiver uma frota maior. "Os submarinos convencionais têm um poder de dissuasão enorme, mas eles têm uma limitação, andam relativamente devagar, de tempos em tempos têm que vir à superfície para carregar as baterias. O submarino nuclear tem total liberdade de navegar pelas águas brasileiras", disse o comandante. "Ele seria um enorme fator de dissuasão favorável à Marinha e favorável ao país."

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