Veneno de surucucu, nova arma contra o câncer

O veneno da surucucu pode ser uma nova arma para o tratamento do câncer. É o que garantem pesquisadores daFundação Ezequiel Dias (Funed), de Minas Gerais, que há oito anos estudam a ação dos componentes do veneno da Lachesismuta muta (nome científico da espécie) na redução de tumores cancerígenos e na disseminação da doença. Os resultadosparciais do estudo foram apresentados no 25º Congresso Brasileiro de Zoologia, entre os dias 08 e 13 deste mês.De acordo com a diretora de Pesquisa e Desenvolvimento da instituição, Thais Viana de Freitas, o veneno utilizado nosexperimentos foi parcialmente purificado e, a princípio, foi constatado uma inibição da angiogênese, que é a formação depequenos vasos sangüíneos. ?Pela ação do veneno em inibir essa formação de capilares, o tumor fica localizado, impedindo a metástase (processoque possibilita a migração das células cancerígenas para outros locais)?, explica Thais. ?A ação desse veneno parece se dar por aí, pela inibição da angiogênese?. Os testes realizados no final do ano passado no interior paulista, segundo a diretora da Funed, serviram para comprovar aeficácia da fração purificada em cobaias. Thaís afirma que um micrograma de uma fração do veneno foi capaz de reduzir em até50% a massa tumoral de ratos, quando comparados a um grupo controle.A partir dos resultados obtidos, explica Gomes, os cientistas concentram agora seus trabalhos no processo de purificação deelementos do veneno da serpente, ?para avaliar melhor sua eficácia?.Ele salienta, contudo, que ainda não há previsão sobre testes em seres humanos e nem quais tipos de tumores poderãoser combatidos pelo veneno.

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