Venda de urânio à China financiará indústria nuclear no Brasil

O ministro da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos, explicou hoje que a eventual venda do urânio brasileiro para China ?somente se justificaria se financiasse a produção em escala industrial no Brasil de urânio enriquecido para abastecer as usinas de Angra 1 e Angra 2?. Segundo ele, o Brasil já investiu mais de US$ 1 bilhão no programa nuclear e não pode desperdiçar isso por carência de investimentos. ?Seria lamentável se não tivéssemos condições de preservar todo esse esforço?, disse.O Brasil possui somente duas fases das quatro do processo industrial de enriquecimento do urânio: extração e seleção do minério. Na terceira fase, a de hexafloreto, quando o minério é transformado em estado gasoso, o processo é feito no Canadá. Na quarta fase, o urânio é colocado em centrífugas na Europa. O País gasta cerca de US$ 12 milhões anuais para completar no exterior esse processo de enriquecimento de urânio para as suas usinas de Angra 1 e Angra 2. O Brasil já desenvolveu, em laboratório, uma tecnologia para a centrifugação que, segundo Campos, é a mais avançada do mundo e que também interessa aos chineses. Em outubro próximo, o Brasil deve inaugurar em Resende, no Rio de Janeiro, o primeiro módulo de centrifugação em escala industrial, embora ainda sejam necessários recursos orçamentários suplementares para isso. ?Mas para termos capacidade independente de abastecer as duas usinas, e talvez a Angra 3, vai levar muitos anos se não tivermos recursos suficentes?, disse.Para o ministro, o programa nuclear brasileiro, para ser modernizado precisaria de recursos de US$ 750 milhões. Caso essa conta inclua a construção de Angra 3, o valor saltaria para US$ 1,5 bilhão.

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