Vem Pra Rua faz ato esvaziado pela 'renovação política' em São Paulo

Marcha que seguiu pela avenida Paulista rechaçou políticos como o ex-presidente Lula (PT) e o senador Aécio Neves (PSDB-MG), além do ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes

Paula Reverbel, O Estado de S. Paulo

27 Agosto 2017 | 18h37


Com adesão menor que na época do impeachment de Dilma Rousseff e gritos contra o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), seguidores do movimento Vem Pra Rua fizeram passeata em São Paulo neste domingo, 27. De acordo com Rogério Chequer, lider do grupo, a pauta comum do protesto é "pela renovação política", que inclui  "subitens como oposição ao fundão, ao distritão e ao uso de propina derivada da atividade do mandato para fazer caixa dois".

A passeata, que seguiu pela av. Paulista, da frente do Masp (Museu de Arte de São Paulo) até a av. Brigadeiro, chegou a ocupar cerca de duas quadras da via e durou apenas três horas. Perguntado sobre a diferença do público deste protesto com o de manifestações anteriores, Chequer afirmou que "atos como aqueles que a gente viu naquele período não são mais bases de comparação". Segundo ele, os atos de 2015 e 2016 tinham "motivador de forma absolutamente binária".

Nem o Vem Pra Rua é nem a PM fizeram estimativa de público.

De acordo com o discurso do grupo, o País está entrando em uma fase de "engajamento digital". O Vem Pra Rua criou dois sites com esse fim. O primeiro, chamado "Tchau Queridos", será atualizado semanalmente com os políticos que não querem ver reeleitos. O segundo, o "Mapa contra o Fundo Eleitoral" lista todas as informações de contato de parlamentares.

Os ex-presidentes Lula e Dilma, os senadores Aécio Neves (PSDB-MG) e Lindbergh Farias (PT-RJ), o deputado federal Vicente Cândido (PT-SP) e o ministro Gilmar Mendes estavam entre os mais rechaçados pelos cartazes do público.

Apenas três pessoas discursaram, incluindo o jurista Modesto Carvalhosa. Apesar do VPR ter sido o único grande movimento pró-impeachment que se posicionou também favoravelmente à investigação e afastamento do presidente Michel Temer, não houve palavras de ordem contra o mandatário.

Perguntado por que o protesto anti-Temer não teve tanta expressividade quanto os atos anti-Dilma, Chequer disse ser uma "questão sociológica". "A nossa parte, nós fizemos", disse.

Sobre pesquisa que revelou queda na popularidade do ministro do STF, Chequer avaliou que trata-se de um reflexo da sociedade se atentar mais a temas políticos. "Acho que tanto a derrocada [de popularidade] dele quanto de todos os outros se deve ao povo acordando.  O povo não acompanhava essas coisas com o detalhe que acompanha hoje. Quanto mais se olha, mas se descobre. Quanto mais se descobre, mais repúdio e reprovação tem. Essa pesquisa é apenas um reflexo do quanto que a sociedade está acordando", disse.

 

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