Vem Pra Rua anuncia Mapa Afasta Temer e manifestação contra o presidente

Movimento divulga placar com posição de parlamentares sobre denúncia contra presidente e agenda de protesto para 27 de agosto

Valmar Hupsel Filho, O Estado de S.Paulo

04 de julho de 2017 | 18h24

Um dos principais organizadores das manifestações que pediram o impeachment da presidente Dilma Rousseff no ano passado, o Vem Pra Rua adotou estratégia semelhante para pedir o afastamento do atual ocupante do cargo, Michel Temer.

Uma semana depois de declarar publicamente seu posicionamento a favor do afastamento do presidente, o grupo anuncia a criação do Mapa Afasta Temer, com a publicação diária do posicionamento de cada um dos deputados sobre a admissibilidade ou não da denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o peemedebista, além da realização de atos de rua, marcados para agosto.

O placar vai ao ar a partir das 17 horas desta quarta-feira, 5. A ideia é pressionar os parlamentares a votarem pela autorização para que o STF dê andamento à denúncia.

A votação do parecer que será elaborado pelo relator da denúncia na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara será em sessão plenária com a possibilidade de participação de todos os deputados. Serão necessários 342 votos para que a autorização seja dada.   

"Vamos focar nos indecisos porque não vamos focar apenas nos posicionamentos. Vamos ensejar ações", disse o porta-voz do Vem Pra Rua, o empresário Rogério Chequer. "No fundo, a gente respeita mais quem toma posição do que aqueles que ficam barganhando posição. São esses que causam mais danos à democracia."

Chequr afirmou que o Vem Pra Rua vai publicar os contatos (telefones e emails) dos parlamentares que se declararem indecisos. "Vamos fazer a divulgação dos contatos e ensejar o Brasil inteiro a entrar em contato com eles e pedir o que eles querem", disse. Segundo ele, o Mapa vai servir tanto para a denúncia que já foi apresentada pela PGR quanto as que estão por vir.

"Os deputados têm dito que vão analisar a denúncia, mas eles não têm que entrar no mérito da denúncia. Eles só têm que votar na admissibilidade. Não cabem a eles julgar. Cabe a eles apenas decidir se o presidente será julgado ou não", acrescentou.

Marcha. A ação é semelhante ao o que o grupo fez no ano passado, ao publicar o Mapa do Impeachment. E, também tal qual em 2016, o grupo pretende levar seus seguidores para uma manifestação de rua.

Já está agendada para o dia 27 de agosto a Marcha Contra a Impunidade e Pela Renovação, que deve ocorrer em diversas cidades brasileiras. Em São Paulo, o ato será na Avenida Paulista,  mesmo local das manifestações pelo impeachment. "Será o primeiro ato pela renovação política de 2018", resumiu Chequer. O porta-voz do Vem Pra Rua disse que o grupo passou a apoiar o afastamento de Temer após a denúncia oferecida contra ele pela PGR, por corrupção passiva. "A falta de governabilidade só vai piorar, e teremos seis meses úteis daqui até março. Ou aproveitamos para ter uma agenda legislativa ou o país vai ficar parado até as eleições de 2018", disse.

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