Vem aí nova dissidência no PMDB

Encerrada a discussão sobre a CPI mista da corrupção - ou ao menos a fase mais aguda dela -, o PMDB inicia agora as articulações para resolver outro problema interno, que ameaça abrir nova dissidência: a sucessão do senador Jader Barbalho (PA) na presidência do partido. Pressionado pelo vice-presidente do PMDB, senador Maguito Vilela (GO), que deseja assumir o cargo, Barbalho anunciou ontem que o assunto será tratado só depois de superada a fase de turbulência política. Mas adiantou que seu sucessor será escolhido pelo diretório nacional para cumprir um mandato-tampão até setembro, quando será eleito o futuro presidente do PMDB, que vai comandar o processo eleitoral de 2002. Ao levar a decisão para o diretório, Barbalho praticamente tira a chance de Maguito Vilela vir a substitui-lo no cargo. A cúpula do PMDB não considera o senador goiano "confiável" e, portanto, deseja impedir sua ascensão desde já. A idéia é a de não correr riscos no futuro, já que o comando do PMDB quer colocar o deputado Michel Temer (PMDB-SP) na presidência do partido em setembro ou, então, outro político pertencente ao grupo que hoje controla a legenda. Jader prometeu deixar a presidência mas não cumpriuSabendo dessa estratégia da cúpula, o senador Maguito Vilela não tem poupado ataques públicos ao ministro Eliseu Padilha, dos Transportes, que estaria trabalhando para minar suas pretensões. Senadores do PMDB alegam que o próprio Barbalho se comprometera, perante a bancada a renunciar à presidência do PMDB assim que se elegesse presidente do Senado. Mas não cumpriu a promessa. Esse teria sido o principal motivo que levou Maguito a assinar o requerimento para criar a CPI da corrupção. A intransigência de Maguito provocou também divergência no PMDB de Goiás. Os senadores Iris Rezende e Mauro Miranda ficaram contra a CPI. Embora isolado no Senado, Maguito conseguiu apoio de alguns deputados federais, que ameaçam assinar o requerimento da CPI caso a situação do senador não seja resolvida. Inconformado, o senador alega que quanto mais o PMDB fecha com o governo federal, mais enfraquecido fica em Goiás. Ou seja, quem sai fortalecido é o PSDB, liderado pelo governador Marconi Perillo.

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